Inchaço repentino levou influenciadora a descobrir linfoma raro associado a implantes mamários
O que é o BIA-ALCL? Entenda o linfoma associado ao implante de silicone diagnosticado em Evelin Camargo. Saiba quais são os sintomas e como prevenir.
O aumento súbito de uma das mamas, percebido “do dia para a noite”, fez a influenciadora e comediante Evelin Camargo buscar atendimento médico no fim de dezembro. A suspeita inicial era comum entre mulheres com implantes de silicone: ruptura da prótese. Os exames de imagem, no entanto, descartaram essa hipótese e revelaram um achado que acendeu o alerta da equipe médica — a presença de líquido ao redor do implante, um chamado seroma tardio, condição incomum anos após a cirurgia.
Diante do quadro, os médicos decidiram aprofundar a investigação. Evelin passou por uma punção para retirada do líquido e por exames laboratoriais específicos. A confirmação veio após análise de imunohistoquímica: tratava-se de um linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL), uma doença rara e pouco conhecida do público.
Apesar de se manifestar na mama, o BIA-ALCL não é um câncer de mama. Trata-se de um tipo de linfoma, câncer que se origina nas células do sistema linfático. “Ele não nasce na mama, mas se manifesta ali porque o gatilho é a presença da prótese, que pode provocar uma inflamação crônica ao longo do tempo”, explica Breno Gusmão, integrante do Comitê Médico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).
Segundo o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, as células malignas costumam se desenvolver na cápsula fibrosa que se forma ao redor do implante, e não no tecido mamário. Essa diferença é determinante para o tratamento e para o prognóstico, geralmente favorável quando o diagnóstico é precoce.
O BIA-ALCL é considerado raro. Estudos estimam uma incidência média de um caso a cada 30 mil mulheres com implantes mamários, geralmente surgindo entre sete e dez anos após a colocação da prótese. Especialistas, porém, alertam para possível subnotificação. “Muitos casos são tratados apenas com cirurgia e não entram em sistemas oficiais de registro”, afirma Stefani.
Pesquisas indicam uma associação mais frequente com próteses de superfície texturizada. A cirurgiã plástica Fabiana Catherino, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que a textura pode favorecer inflamação crônica. “As irregularidades aumentam a área de contato e podem facilitar a formação de biofilme bacteriano, mantendo o sistema imunológico ativado por longos períodos”, diz.
O principal sinal de alerta é o inchaço tardio da mama, além de dor persistente, assimetria, endurecimento ou nódulos. “Seroma tardio não é normal e sempre precisa ser investigado”, ressalta Catherino. O diagnóstico envolve exame físico, imagem e análise do líquido ou da cápsula com testes específicos.
Na maioria dos casos, o tratamento consiste na retirada da prótese e da cápsula ao redor. Quando a doença está restrita a essa região, como no caso de Evelin, o prognóstico costuma ser positivo. Situações mais avançadas podem exigir quimioterapia ou imunoterapia, mas, ainda assim, trata-se de um linfoma potencialmente curável.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Evelin Camargo contou que o linfoma estava limitado à cápsula do implante e que o tratamento indicado foi a retirada da prótese. Ela afirmou que decidiu tornar o diagnóstico público não para gerar medo, mas como alerta. “Quero que outras mulheres fiquem atentas a mudanças inesperadas no corpo”, disse.
Especialistas reforçam que implantes mamários não são dispositivos permanentes e exigem acompanhamento regular. As agências reguladoras recomendam a primeira ressonância magnética cerca de cinco anos após a cirurgia e, depois, exames a cada dois ou três anos. “Informação e acompanhamento fazem parte do cuidado. O corpo sempre dá sinais quando algo não está bem”, conclui Catherino.


Gabriella Nobre 


