O governo do México enfrentou forte desgaste político e social após anunciar a antecipação das férias escolares por causa da Copa do Mundo de 2026 e das ondas de calor que atingem o país. A proposta previa encerrar o ano letivo em 5 de junho, mais de um mês antes da data habitual, mas foi retirada após críticas de pais, professores e autoridades locais.
Um dos países-sede do Mundial ao lado de Estados Unidos e Canadá, o México sediará 13 partidas da competição, incluindo o jogo de abertura, marcado para 11 de junho, na Estádio Azteca.
A proposta foi apresentada pelo secretário de Educação mexicano, Mario Delgado, que argumentou que a medida ajudaria a proteger estudantes das altas temperaturas e reduzir impactos na mobilidade urbana nas cidades-sede: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey.
A presidente Claudia Sheinbaum chegou a defender a ideia, afirmando que a Copa representa “um grande momento” para o país. No entanto, a repercussão negativa levou o governo a recuar poucos dias depois.
Entidades ligadas à educação criticaram a justificativa utilizada pelo governo. A União Nacional de Associações de Pais do México classificou como “inaceitável” reduzir o calendário escolar por causa de um evento esportivo. O argumento principal era de que milhões de estudantes seriam afetados, embora os jogos aconteçam em apenas parte do território mexicano.
Outro ponto levantado foi o impacto social da medida. Muitas famílias dependem da escola como espaço de apoio diário para crianças e adolescentes, especialmente em lares chefiados por mães solteiras. Segundo dados citados no debate, cerca de 90% dos estudantes mexicanos frequentam escolas públicas.
Além da polêmica envolvendo a Copa, o México enfrenta uma intensa onda de calor. Em diversas regiões do país, os termômetros ultrapassaram os 45 °C nas últimas semanas. Autoridades meteorológicas alertam que o calor extremo deve continuar durante junho e julho, período da competição.
Especialistas apontam que eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes devido às mudanças climáticas globais. A climatologista Karina Bruno Lima afirmou que ondas de calor exigem adaptações urbanas, como ampliação de áreas verdes e melhoria da infraestrutura urbana.
O episódio também reacendeu discussões sobre os desafios de organizar grandes eventos esportivos em meio ao aumento das temperaturas globais. O México já havia suspendido aulas presenciais em diversos estados durante ondas de calor registradas em 2023.
Apesar do recuo do governo, o debate sobre saúde pública, educação e impactos climáticos segue em evidência no país a pouco menos de um mês da abertura da Copa do Mundo de 2026.