Brasil é retirado da lista de exportadores de produtos de origem animal para a União Europeia

A União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de exportadores de produtos de origem animal por restrições a antimicrobianos. Veto pode gerar perdas de US$ 1,8 bi.

Mai 13, 2026 - 14:29
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Brasil é retirado da lista de exportadores de produtos de origem animal para a União Europeia
Esta também não é a primeira vez que o país enfrenta barreiras comerciais severas no continente europeu. Mídia: Feed&Food

O governo brasileiro se declarou surpreso com a decisão da União Europeia (UE) de retirar o país da lista de exportadores de produtos de origem animal destinados ao consumo humano, anunciada nesta terça-feira (12/5). A medida só entra em vigor em 3 de setembro, e o governo afirmou que tomará todas as medidas necessárias para reverter a decisão.

Segundo o embaixador do Brasil junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, haverá reunião nesta quarta-feira com autoridades europeias da área de saúde animal para buscar esclarecimentos. Enquanto isso, as exportações brasileiras continuam normalmente.

Se não for revertida, a medida pode causar perdas de até 1,8 bilhão de dólares por ano para exportadores brasileiros, segundo o Ministério da Agricultura. Além da carne bovina, podem ser afetadas exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal.

A UE não acusou contaminação nos produtos, mas alegou que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, substâncias que combatem bactérias, vírus e parasitas. O bloco europeu proíbe especialmente medicamentos que também são utilizados na medicina humana, para evitar a resistência antimicrobiana. Entre os produtos restritos estão virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

Para reverter a decisão, o Brasil precisa garantir o cumprimento das normas sobre antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Isso pode ser feito ampliando restrições legais ou criando mecanismos rigorosos de rastreabilidade para comprovar que os produtos estão livres dessas substâncias. A segunda alternativa é mais complexa, mas o país já iniciou o diálogo com a UE.

A retirada do Brasil da lista não representa impacto imediato, pois o país continua exportando para a União Europeia e pode redirecionar os produtos a outros mercados. Historicamente, a China é o principal destino da carne bovina brasileira, seguida pelos Estados Unidos. A UE aparece em quarto lugar, com cerca de 128,9 mil toneladas importadas em 2025, totalizando 1,06 bilhão de dólares.

Segundo a ABPA e a Abiec, os produtos brasileiros cumprem atualmente todos os requisitos sanitários e regulatórios da UE e dos principais mercados internacionais, com sistemas rígidos de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente.

Esta não é a primeira vez que a UE impõe restrições à carne brasileira: em 2008 e 2017, medidas similares foram aplicadas após preocupações com segurança alimentar e investigações como a Operação Carne Fraca.

O caso acende o alerta para produtores e exportadores, que agora precisam reforçar controles e certificações para manter o Brasil competitivo nos mercados internacionais.

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