O Bloco Fúnebre, responsável por abrir tradicionalmente o carnaval oficial de Belo Horizonte, vai às ruas em 2026 em uma data simbólica: uma sexta-feira 13. O cortejo começa às 23h e conta, neste ano, com o patrocínio de uma empresa do setor funerário. A proposta do bloco é justamente inverter o significado de azar associado à data.
Conhecido por seguir madrugada adentro até o sábado (17), o Bloco Fúnebre tem como uma de suas marcas os foliões fantasiados com referências à morte. Segundo os organizadores, a ideia é valorizar a memória de quem já partiu e transformar o tema em expressão artística e celebração da vida.
De acordo com Flávia Ribeiro, fundadora e vocalista do bloco, o apoio do grupo funerário dialoga com a essência do desfile. Para ela, a parceria contribui para ampliar o alcance da mensagem e ajudar a romper tabus. “Quando uma empresa que atua no cuidado com as despedidas escolhe apoiar um bloco que usa a arte para desmistificar tabus e celebrar a vida, a mensagem ganha potência”, afirmou. Flávia ressaltou ainda que a iniciativa vai além de uma ação de marca e tem coerência cultural.
O patrocínio é realizado pelo Grupo Zelo. Segundo Alessandro Oliveira, diretor de marketing e comercial da empresa, o apoio reforça o compromisso com iniciativas que estimulam reflexões sobre memória, cuidado e vida. Ele destacou que o grupo tem ampliado o incentivo a ações culturais que ajudam a desconstruir o senso comum em torno da morte e do setor funerário. “Apoiar o bloco é ampliar um diálogo que a cidade já está pronta para ter, de forma leve, no espaço mais simbólico da convivência brasileira, que é o carnaval”, afirmou.
Em 2026, o Bloco Fúnebre completa 13 anos de existência, coincidindo com a sexta-feira 13 que inspirou o tema do desfile: “Sexta-feira 13 Ô Sorte!!”. Mantendo o lema “enterrar as tristezas e ressuscitar as alegrias”, o bloco propõe transformar o que é tradicionalmente visto como azar em motivo de festa.
Segundo Flávia Ribeiro, o desfile vai brincar com superstições brasileiras, referências ao misticismo, ao terror clássico e a rituais cotidianos de proteção, sempre com humor, crítica e afeto. A proposta é transformar o susto em diversão e a tensão em dança. O cortejo também reforça a ligação do bloco com o imaginário de Belo Horizonte, trazendo personagens como a Loira do Bonfim, o Capeta da Vilarinho e outras figuras das lendas urbanas e memórias afetivas da capital.
A concentração do Bloco Fúnebre está marcada para as 23h, na Praça da Bandeira, no bairro Mangabeiras, região Centro-Sul de Belo Horizonte. A saída acontece à meia-noite pela Avenida Afonso Pena, com dispersão prevista para as 3h, na Praça Milton Campos, na mesma região.