Indústria brasileira cresce em 2025, mas perde fôlego no fim do ano, aponta IBGE

A produção industrial do Brasil cresceu 0,6% em 2025, liderada pelo Espírito Santo (+11,6%). Confira os dados do IBGE por estado e os motivos da queda em dezembro.

Fev 10, 2026 - 11:32
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Indústria brasileira cresce em 2025, mas perde fôlego no fim do ano, aponta IBGE
O mês de dezembro acendeu um sinal de alerta para o setor. Na comparação com novembro, a produção industrial recuou 1,2%, com perdas em 12 dos 15 locais analisados. Mídia/Reprodução: Imdepa

A produção industrial brasileira encerrou 2025 em terreno positivo, com crescimento de 0,6% em relação ao ano anterior. O avanço, no entanto, veio acompanhado de sinais claros de desaceleração nos últimos meses, culminando em uma queda de 1,2% em dezembro frente a novembro. Os dados constam da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada nesta terça-feira (10/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o instituto, o resultado do ano foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, com destaque para estados produtores de petróleo, gás natural e minério de ferro. Ao todo, 10 dos 18 locais pesquisados apresentaram crescimento no acumulado de 2025.

O Espírito Santo liderou o ranking nacional, com expansão de 11,6%, seguido pelo Rio de Janeiro, que avançou 5,1%. Em ambos, o desempenho foi puxado pela força da extração mineral e energética. Também registraram crescimento acima da média nacional Santa Catarina (3,2%), Goiás (2,4%), Rio Grande do Sul (2,4%), Minas Gerais (1,3%) e Pará (0,8%). Paraná e Bahia, ambos com 0,3%, e Amazonas, com leve alta de 0,1%, completam o grupo de estados em expansão.

Apesar do saldo positivo, o analista do IBGE Bernardo Almeida ressalta que o desempenho reflete um avanço moderado, marcado pela perda gradual de ritmo ao longo do ano. “Mesmo com a maioria das regiões crescendo, a indústria mostrou sinais de desaceleração”, avaliou.

Na contramão do crescimento nacional, São Paulo — maior parque industrial do país — exerceu a principal influência negativa sobre o resultado de 2025. O estado registrou queda de 2,2% na produção industrial, impactado principalmente pela redução na fabricação de derivados do petróleo e pelo desempenho mais fraco da indústria farmacêutica.

Outros estados também fecharam o ano no vermelho. Mato Grosso do Sul (-12,9%) e Rio Grande do Norte (-11,6%) tiveram as maiores retrações entre os locais pesquisados pelo IBGE.

O enfraquecimento da indústria ficou mais evidente no fim do ano. Na passagem de novembro para dezembro, a produção caiu em 12 dos 15 locais pesquisados, com recuos mais intensos na Bahia (-10,1%) e no Pará (-9,2%). Para o IBGE, o cenário de juros elevados e a política monetária contracionista ajudaram a frear a atividade industrial, além do impacto sazonal das férias coletivas em diversas fábricas no último mês do ano.

Na comparação entre dezembro de 2025 e o mesmo mês de 2024, a indústria teve leve alta de 0,4%, com crescimento em oito dos 18 locais analisados. Espírito Santo e Rio de Janeiro novamente se destacaram positivamente, enquanto Pará, Bahia e Rio Grande do Norte registraram as quedas mais expressivas.

A PIM Regional acompanha mensalmente o desempenho das indústrias extrativas e de transformação em estados que representam ao menos 0,5% do valor da transformação industrial nacional, além do Nordeste como região agregada. Os dados reforçam que, apesar do crescimento em 2025, o setor industrial entra em 2026 sob o desafio de recuperar dinamismo.

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