Descoberta no cérebro pode abrir caminho para novas estratégias contra Alzheimer

Pesquisa publicada na Genomic Psychiatry revela que a proteína Otulin controla a produção da Tau. Entenda como essa descoberta pode revolucionar o tratamento do Alzheimer.

Jan 19, 2026 - 13:53
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Descoberta no cérebro pode abrir caminho para novas estratégias contra Alzheimer
A tau é amplamente conhecida por se acumular em emaranhados tóxicos nos neurônios de pacientes com Alzheimer e outras demências. Dr_Microbe/Getty Images

Pesquisadores descobriram que a proteína otulin desempenha um papel muito mais importante no cérebro do que se imaginava, influenciando diretamente a produção da proteína tau, associada ao desenvolvimento do Alzheimer e de outras demências. O estudo foi publicado em novembro de 2025 na revista científica Genomic Psychiatry.

A tau é essencial para o funcionamento dos neurônios, mas quando sofre alterações químicas, se acumula formando emaranhados tóxicos, um dos principais sinais da doença de Alzheimer. O novo estudo revela que a otulin atua antes que o problema se instale, interferindo na produção da tau já no nível do material genético da célula.

Os cientistas estudaram neurônios cultivados em laboratório, incluindo células de pacientes com Alzheimer de início tardio, e testaram duas abordagens:

  • Bloqueio parcial da otulin, usando a molécula UC495;

  • Remoção total do gene da proteína, com a técnica de edição genética CRISPR-Cas9.

Quando a otulin foi parcialmente inibida, os neurônios produziram menos tau alterada, a forma tóxica ligada à degeneração cerebral. Mas o achado mais surpreendente ocorreu quando o gene da otulin foi completamente removido: os neurônios pararam de produzir a tau e o RNA mensageiro, a “receita” usada pela célula para fabricá-la. Ainda assim, as células sobreviveram no curto prazo, o que chamou atenção dos pesquisadores.

Até então, a otulin era conhecida por regular proteínas dentro da célula e processos como inflamação e reciclagem celular. O estudo mostrou que ela também modula a atividade genética dos neurônios, influenciando milhares de genes e moléculas de RNA. Isso sugere que a proteína não atua apenas na tau, mas controla grandes redes de funcionamento cerebral.

Grande parte das pesquisas atuais busca eliminar a tau depois que ela já se acumulou. A nova descoberta aponta para uma abordagem diferente: impedir que a proteína seja produzida desde o início, antes da formação dos danos cerebrais.

Os autores, porém, alertam que qualquer futura terapia precisará ser precisamente controlada, já que a otulin tem funções essenciais. Estudos em longo prazo, testes em modelos animais e análise de como diferenças naturais da proteína afetam o risco de Alzheimer em humanos ainda são necessários antes que o achado possa se transformar em tratamento.

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