Surto de diarreia em Contagem levanta suspeitas sobre qualidade da água
Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a cada 27 minutos uma pessoa procura atendimento médico com sintomas de gastroenterite e Doença Diarreica Aguda (DDA). Entre 3 de agosto e esta segunda-feira (8), foram 1.957 registros nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), média de 54 notificações por dia.
O aumento expressivo dos casos levou a Prefeitura de Contagem a enviar, nesta terça-feira (9), uma solicitação oficial à Copasa para análise detalhada da água que abastece o município. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também foi acionado para investigar a possível relação entre a água consumida pelos moradores e o surto.
Segundo a administração municipal, a Vigilância Sanitária pediu o plano de amostragem da Copasa, que deve seguir padrões das autoridades de saúde, avaliando condições físicas (cor, turbidez), químicas (pH, cloro residual) e biológicas (coliformes totais e contaminação). Além disso, amostras vêm sendo coletadas em UPAs para identificar o agente causador das doenças.
Denúncias e reclamações da população
O vereador Léo da Academia (PDT) apresentou denúncia ao MPMG, relatando que moradores de diferentes bairros têm reclamado do gosto de barro e mofo na água. Ele citou casos nos bairros Milanez e Maracanã, onde vídeos e relatos apontam alteração na coloração e no sabor do abastecimento.
“Não tem como provar que o surto tem relação com a água, mas há vários relatos. O número de denúncias de gastrenterite tem aumentado”, escreveu o parlamentar nas redes sociais.
Copasa nega falhas e fala em “alarme injustificado”
A Copasa, por sua vez, classifica como “irresponsáveis” as acusações de contaminação. Em nota, a companhia afirmou que a água distribuída em Contagem “atende a todos os padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde” e que o processo de tratamento mantém cloro residual capaz de inibir vírus e bactérias causadores de doenças.
A empresa sustenta que mais de 5 mil amostras mensais são coletadas em pontos de produção e distribuição, avaliando 130 parâmetros de qualidade. Os resultados, segundo a Copasa, já foram enviados à Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG) e ao núcleo ambiental da Fundação Hemominas.
Além disso, a companhia informou ter contratado um laboratório externo para realizar análises complementares da água durante os próximos 12 meses, reforçando seu compromisso com a segurança e confiabilidade do abastecimento.
Situação em monitoramento
Enquanto não há confirmação oficial sobre a causa do surto, a prefeitura afirma acompanhar a evolução dos atendimentos e reforçar as medidas de vigilância. O MPMG, por sua vez, deve avaliar as denúncias apresentadas e os laudos que serão entregues pela Copasa para verificar se há nexo entre a água distribuída e os casos de diarreia registrados no município.
Fonte: O tempo
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