Reabertura do Caso JK: Comissão aponta que ex-presidente pode ter sido morto pela ditadura em 1976

Relatório da CEMDP indica que o ex-presidente Juscelino Kubitschek não morreu em acidente, mas foi vítima de atentado da ditadura militar. Entenda as novas provas.

Mai 8, 2026 - 11:23
Mai 8, 2026 - 11:25
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Reabertura do Caso JK: Comissão aponta que ex-presidente pode ter sido morto pela ditadura em 1976
A apuração sobre uma das maiores incógnitas da história política do Brasil acaba de ganhar um capítulo decisivo. Mídia: Toda Matéria

A pouco mais de três meses do 50º aniversário da morte de Juscelino Kubitschek, um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) levanta a hipótese de que o ex-presidente não teria morrido em um acidente automobilístico, como definido à época, mas sim vítima de um atentado político da ditadura militar.

Elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na CEMDP, o documento de mais de 5 mil páginas está em análise pelos demais conselheiros do colegiado e deve ser votado em breve. O relatório reúne estudos prévios, incluindo o inquérito civil do Ministério Público Federal (2013–2019), considerado a investigação mais completa sobre a morte de JK, e aponta falhas severas nas perícias e processos realizados na época.

Segundo o relatório, o Opala em que o político estava, conduzido por seu motorista Geraldo Ribeiro, não colidiu com o ônibus da viação Cometa, como concluíram as investigações oficiais da ditadura, de 2001 e da Comissão da Verdade em 2014. Uma perícia técnica recente realizada pelo engenheiro Sergio Ejzenberg descartou a colisão e indicou que o veículo pode ter perdido o controle por ação externa, como sabotagem mecânica ou intoxicação do motorista.

O documento contextualiza ainda a atuação política de JK na época. Líder da Frente Ampla, grupo de oposição à ditadura, ele já havia tido seu mandato de senador cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos após o golpe de 1964. O relatório aponta também que o ex-presidente estava listado como alvo na Operação Condor, esforço coordenado entre ditaduras sul-americanas para eliminar opositores políticos.

Se aprovado, o relatório poderá levar à retificação da certidão de óbito de Juscelino Kubitschek e de Geraldo Ribeiro, reconhecendo-os oficialmente como vítimas do Estado. Diferentemente de outros casos, como o da estilista Zuzu Angel, não haverá indenização financeira à família, já que o reexame ocorreu após os prazos legais.

Entre os sete conselheiros, a aprovação do relatório é considerada praticamente certa, contando com cinco votos favoráveis. Representantes do Ministério Público Federal e da Defesa são os únicos mais reticentes, preocupados com possíveis contestações jurídicas e uso político do resultado.

Maria Cecília Adão, procurada, não se manifestou sobre o caso, que ainda está em deliberação. A reabertura do caso reacende o debate sobre a morte de JK, encerrando meio século de controvérsias e reforçando o esforço de órgãos do Estado para esclarecer a história da ditadura no Brasil.

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