CPMI do INSS manda prender ex-coordenador após contradições em depoimento

O ex-coordenador do INSS, Jucimar Fonseca, foi preso pela CPMI por contradições em depoimento sobre suposta fraude em descontos de aposentados. Presidente da comissão deu a ordem.

Dez 2, 2025 - 09:33
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CPMI do INSS manda prender ex-coordenador após contradições em depoimento
Jucimar Fonseca é acusado de inconsistências em suas declarações e de apoiar convênios que resultaram em descontos bilionários a aposentados e pensionistas. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

BRASÍLIA- A CPMI do INSS prendeu, na madrugada desta terça-feira (2/12), Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, ao término de seu depoimento. A ordem de prisão foi dada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), após cerca de nove horas de oitiva.

Viana justificou a decisão apontando supostas contradições nas declarações de Jucimar e ressaltando que o ex-coordenador já havia se recusado a comparecer anteriormente à CPMI. Ele faltou a duas convocações, alegou problemas de saúde e apresentou atestados médicos, mas não se submeteu à perícia exigida pelo Senado. Para o senador, as justificativas apresentadas não foram suficientes.
“Quem nada deve não foge. Quem confia na própria inocência não evita depor”, afirmou.

Motivo da convocação

Jucimar foi chamado para explicar por que, mesmo com parecer contrário do Ministério Público, apoiou a liberação de descontos em massa na folha de pagamento de aposentados e pensionistas prática investigada pela CPMI como possível fraude contra beneficiários do INSS.

Em sua defesa, o ex-coordenador alegou que não tinha poder decisório para barrar os convênios sob investigação e que sua atuação era estritamente técnica. Ele também afirmou que o instituto não recebeu o volume de reclamações divulgado pela imprensa.

Parlamentares da comissão, no entanto, questionaram pareceres favoráveis assinados por ele para entidades como Contag e Conafer, ambas investigadas, justamente no período em que os descontos vinculados aos convênios passaram de valores reduzidos para cifras bilionárias.

Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre eventual pagamento de fiança ou a situação atual de Jucimar Fonseca, incluindo se ele permanecia preso.

Presidente quer prorrogar trabalhos da CPMI

O senador Carlos Viana também afirmou que pretende solicitar a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias. O encerramento está previsto para 28 de março de 2026, e o parlamentar deseja estender o prazo até maio.

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), concorda com a prorrogação. Segundo ele, o volume de documentos analisados e o número de depoimentos ainda pendentes justificam o prolongamento.

A decisão final depende do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que, até o momento, não demonstrou disposição para estender os trabalhos.

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