Polícia Civil investiga mortes suspeitas de pacientes aplicadas por técnicos de enfermagem no Hospital Anchieta

A Polícia Civil do DF investiga 20 óbitos suspeitos após prisão de técnicos de enfermagem acusados de homicídio na UTI do Hospital Anchieta. Veja detalhes da Operação Anúbis.

Polícia Civil investiga mortes suspeitas de pacientes aplicadas por técnicos de enfermagem no Hospital Anchieta
O caso ganhou repercussão após a deflagração da Operação Anúbis, que apura o envolvimento de três técnicos de enfermagem em homicídios cometidos dentro da UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). PCDF/Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga pelo menos 20 óbitos suspeitos em hospitais da região, após três técnicos de enfermagem serem acusados de cometer homicídios dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). As investigações fazem parte da Operação Anúbis e visam apurar se as mortes ocorreram em circunstâncias semelhantes às de três pacientes recentemente assassinados com substâncias aplicadas diretamente na veia, capazes de causar parada cardíaca rápida.

As vítimas confirmadas do trio são: João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33 anos, funcionário dos Correios; e uma professora aposentada de 75 anos, cuja identidade ainda não foi divulgada. Segundo o delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, os suspeitos possuem histórico de atuação em hospitais públicos e privados, e a polícia investiga se outros óbitos ocorreram em instituições onde eles trabalharam.

Os suspeitos têm 22, 24 e 28 anos. O homem de 24 anos, estudante de fisioterapia, era responsável por injetar as medicações. A técnica de 28 anos possui experiência prévia em outros hospitais, enquanto a jovem de 22 anos estava em seu primeiro emprego na área. Até o momento, a motivação do crime segue desconhecida.

Na manhã de 11 de janeiro, a primeira fase da operação resultou na prisão temporária de dois suspeitos e na realização de mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas. Durante as diligências, materiais relevantes para a investigação foram recolhidos.

Na segunda fase, deflagrada em 15 de janeiro, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária e realizou apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. O delegado detalhou que, em um dos casos, o técnico chegou a injetar um desinfetante no paciente pelo menos dez vezes, levantando suspeitas de homicídio premeditado.

Segundo fontes da investigação, a substância utilizada pode provocar a morte sem deixar sinais evidentes, simulando complicações clínicas ou morte natural, o que dificulta a detecção imediata do crime.

O Hospital Anchieta, referência em Brasília há 30 anos, esclareceu que identificou circunstâncias atípicas em três óbitos da UTI e iniciou investigação interna antes de acionar a polícia. Em nota, a instituição afirmou que os ex-funcionários já haviam sido desligados, e que coopera integralmente com as autoridades, prestando apoio às famílias das vítimas.

O hospital reforçou ainda que o caso tramita em segredo de justiça, sendo indispensável à preservação da apuração e à proteção das partes envolvidas.