PCC tinha fórmulas 'profissionais' para adulterar combustíveis, aponta investigação no Piauí. A rede investigada, teria ligação direta com os mesmos operadores financeiros e fundos em São Paulo

Investigação no Piauí revela que rede de postos ligada ao PCC usava "fórmulas profissionais" e engenharia química para adulterar combustíveis e escapar da fiscalização da ANP.

PCC tinha fórmulas 'profissionais' para adulterar combustíveis, aponta investigação no Piauí. A rede investigada, teria ligação direta com os mesmos operadores financeiros e fundos em São Paulo

   A Polícia Civil do Piauí identificou durante a Operação Carbono Oculto 86, que uma rede de postos ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ter utilizado fórmulas químicas elaboradas para expandir a adulteração de combustíveis na região Norte e Nordeste.

   Imagem encontrada no celular de um dos investigados mostra quatro receitas distintas de adulteração, com cálculos de custos e parâmetros técnicos que indicam o uso de engenharia química profissional. De acordo com a Polícia Civil, impressões iniciais da área técnica de qualidade da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que a adulteração tem características "profissionais" e foi planejada para escapar dos testes de fiscalização.

   O percentual de etanol anidro na gasolina tipo C, que é o combustível padrão comercializado no País, passou de 27,5% para 30% em agosto de 2025, segundo resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Misturas fora desses limites configuram adulteração e crime contra as relações de consumo. De acordo com os investigadores, o rascunho apreendido pode ser anterior a agosto deste ano.

   A Carbono Oculto 86 revelou que o grupo usava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar recursos ilícitos e ocultar patrimônio.

   A rede investigada, que operava dezenas de unidades no Piauí, Maranhão e Tocantins, teria ligação direta com os mesmos operadores financeiros e fundos expostos na Operação Carbono Oculto, deflagrada em São Paulo, que apurou um esquema nacional que movimentou R$ 52 bilhões.

 

Fonte: O Dia