Pesquisas desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) ampliaram o número de cultivares indicadas para o manejo de dupla poda na viticultura. Com os novos resultados, produtores passam a contar com mais nove variedades que apresentaram bom desempenho produtivo com a técnica.
Adaptado pela Epamig, o método da dupla poda permite que a maturação e a colheita das uvas ocorram no inverno, a partir da realização de duas podas ao longo do ano. Os estudos começaram em 2015 e a aplicação da técnica foi feita de forma pioneira no município de Andradas, no Sul de Minas.
Ao longo da pesquisa, foram avaliadas 12 cultivares, sendo oito tintas e quatro brancas. Todas as variedades brancas analisadas demonstraram potencial agronômico e enológico e, por isso, foram recomendadas: Vermentino, Muscat à Petits Grains Blanc, Viognier e Marsanne.
Entre as uvas tintas, receberam indicação as cultivares Tempranillo, Grenache, Touriga Nacional, Marselan e Mourvedre. Já as variedades Carménère e Petit Verdot não se mostraram adequadas ao cultivo de inverno, devido à baixa produtividade nos vinhedos. A pesquisa também utilizou a uva Syrah como tratamento de controle.
Segundo o pesquisador da Epamig, Francisco Câmara, foram cerca de sete anos de avaliações até a consolidação dos resultados. “Buscamos variedades vigorosas, produtivas e com boa qualidade de uva e vinho. Com os dados obtidos, tivemos segurança para fazer as recomendações”, explica.
Os resultados já começam a ser incorporados ao campo. Variedades como Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Marselan vêm sendo utilizadas na produção de vinhos de colheita de inverno por meio da dupla poda.
Para Francisco Câmara, a ampliação das opções representa uma oportunidade para o setor. “A expectativa é que esses resultados cheguem cada vez mais ao mercado e ao consumidor, permitindo ao produtor diversificar e fortalecer seu portfólio”, conclui.