Dólar cai abaixo de R$ 5,30 com expectativa por juros nos EUA e no Brasil; Bolsa renova recorde
Na véspera, a moeda norte-americana recuou 0,61%, cotada em R$ 5,3211. Já o principal índice da bolsa avançou 0,90%, aos 143.547 pontos.
O dólar opera em queda nesta terça-feira (16), recuando 0,46% às 13h30, cotado a R$ 5,2964. A moeda americana acumula cinco sessões seguidas de baixa, voltando aos níveis registrados em junho do ano passado.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 0,20%, aos 143.834 pontos. Com esse desempenho, o índice opera acima do recorde registrado ontem, quando fechou aos 143.547 pontos.
O movimento dos mercados reflete a expectativa de que os juros nos Estados Unidos sejam reduzidos, enquanto no Brasil devem permanecer altos. Esse contraste torna o país mais atrativo para investidores, que buscam retornos maiores. Com isso, há entrada de recursos no Brasil, o que fortalece a bolsa e contribui para a queda do dólar.
Na agenda brasileira, o IBGE divulgou hoje os dados da Pnad Contínua, indicando que a taxa de desemprego caiu para 5,6% no trimestre encerrado em julho. Foi a menor taxa da série histórica deste indicador, que teve início em 2012.
Nos EUA, o dia será marcado pela divulgação de novos dados econômicos — como vendas no varejo e produção industrial — que podem influenciar a decisão sobre os juros.
Enquanto isso, o cenário político também tem influenciado os bastidores da decisão sobre os juros nos EUA. A indicação de Stephen Miran, conselheiro econômico ligado a Donald Trump, está avançando no Senado, e ele deve participar da reunião que começa hoje.
Já a tentativa do governo de afastar Lisa Cook foi barrada pela Justiça, e ela também continua no comitê. Mesmo assim, a Casa Branca prometeu recorrer.
Desemprego no Brasil
A taxa de desemprego brasileira desacelerou e atingiu 5,6% no trimestre encerrado em julho. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- Foi a menor taxa da série histórica deste indicador, que teve início em 2012, e representa uma queda em relação ao trimestre anterior terminado em abril, quando o desemprego atingiu 6,6%.
Ao todo, 6,118 milhões de pessoas estavam sem emprego no país. Segundo o IBGE, essa foi a menor taxa desde o fim de 2013, quando 6,100 milhões estavam desempregados.
Os dados também representam um recuou de 14,2% (ou menos 1,0 milhão de pessoas) no trimestre e caiu 16,0% (menos 1,2 milhão de pessoas) no ano.
Veja os destaques da pesquisa
- Taxa de desocupação: 5,6%
- População desocupada: 6,118 milhões de pessoas
- População ocupada: 102,4 milhões
- População fora da força de trabalho: 65,6 milhões
- População desalentada: 2,7 milhões
- Empregados com carteira assinada: 39,1 milhões
- Empregados sem carteira assinada: 13,5 milhões
- Trabalhadores por conta própria: 25,9 milhões
- Trabalhadores informais: 38,8 milhões
Na visão de Leonard Costa, economista do ASA, mesmo com o desemprego no menor nível da série histórica, há sinais de que o mercado de trabalho pode estar se estabilizando.
“Já que a população ocupada vem mostrando sinais de acomodação no curto prazo. De todo modo, o mercado de trabalho segue como destaque positivo.”
Já Igor Cadilhac, economista do PicPay, acredita que o ritmo atual do mercado de trabalho deve continuar firme pelo menos até o fim do terceiro trimestre. “Quando deve se iniciar um processo gradual de desaceleração. Para 2025, projetamos taxa média de desemprego de 6%, encerrando o ano em 5,6%.”
Dados dos EUA
Nesta terça-feira, novos dados dos EUA foram divulgados e mostram que a economia norte-americana apresentou um desempenho acima do esperado em agosto — tanto nas vendas do varejo quanto na produção industrial.
Os números indicam que, apesar das incertezas políticas e comerciais, o consumo segue firme e a atividade nas fábricas mostra sinais de recuperação.
As vendas no varejo cresceram 0,6% no mês, repetindo o avanço de julho, que foi revisado para cima. A expectativa era de uma alta mais modesta, de 0,2%.
Parte desse crescimento pode estar ligada ao aumento de preços causado por tarifas, e não necessariamente por maior volume de compras.
Já a produção industrial teve alta de 0,2% em agosto, após uma queda de 0,1% no mês anterior. A expectativa era de nova retração, mas alguns setores mostraram recuperação.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados começaram o dia em alta, com os investidores animados pela expectativa de que o banco central americano possa cortar os juros em breve.
No entanto, esse otimismo perdeu força ao longo da manhã, depois que saíram dados de vendas no varejo mais fortes do que o esperado, o que pode indicar que a economia ainda está aquecida e dificultar uma redução nos juros.
Por volta das 11h, os principais índices de ações operavam em leve queda. O Dow Jones recuava 0,39%, o S&P 500 caía 0,12% e o Nasdaq tinha baixa de 0,08%.
Na Europa, os mercados operavam com cautela nesta terça-feira. A expectativa pela decisão sobre os juros nos EUA deixou os investidores mais conservadores, especialmente em setores como bancos e seguradoras, que costumam ser mais sensíveis a mudanças nas taxas de juros.
O índice geral europeu, o STOXX 600, caía 0,13%. Em Londres, o FTSE recuava 0,08%; em Frankfurt, o DAX caía 0,25%; em Milão, o FTSE/Mib tinha baixa de 0,15%; e em Madri, o Ibex-35 perdia 0,50%.
Já Paris registrava leve alta de 0,03%, e Lisboa tinha queda de 0,10%.
Na Ásia, os mercados tiveram um dia de negociações instáveis, especialmente na China e em Hong Kong. Apesar disso, o clima geral foi de leve movimentação, sem grandes mudanças.
No fechamento, Xangai subiu 0,04%, enquanto o CSI300 caiu 0,21% e o Hang Seng recuou 0,03%. Em Tóquio, o Nikkei avançou 0,3%; em Seul, o Kospi subiu 1,24%; Taiwan teve alta de 1,07%; Sydney cresceu 0,28%; e Cingapura teve leve queda de 0,09%.
Fonte: G1





