Quatro deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) protocolaram, nesta terça-feira (24/3), um pedido de afastamento imediato do senador Carlos Viana (Podemos-MG) da presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS. A iniciativa levanta questionamentos sobre a imparcialidade na condução dos trabalhos.
A chamada “exceção de suspeição” foi assinada pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ). No documento, os parlamentares afirmam que Viana teria “interesse direto e político no direcionamento e no desfecho das investigações”.
Procurado, o senador não comentou o teor da petição.
No pedido, os deputados alegam que a investigação envolve personagens e instituições ligados ao entorno político e religioso do parlamentar, incluindo a Igreja Batista da Lagoinha e a Fundação Oásis, além de nomes como André Valadão e Nikolas Ferreira. O texto também menciona o repasse de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares destinadas à fundação.
A movimentação ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinar, na segunda-feira (23/3), a prorrogação dos trabalhos da CPMI, que inicialmente se encerrariam em 28 de março. Na decisão, o magistrado ainda apontou “omissão deliberada” do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, por não ter encaminhado pedidos anteriores de extensão.
Com a ampliação do prazo da comissão, o pedido de afastamento ganha peso político e agora será analisado pela presidência do Congresso Nacional, que decidirá sobre o seu andamento.