Conselho do São Paulo vota impeachment de Julio Casares nesta sexta

O futuro do São Paulo em jogo. Entenda como funciona a votação de impeachment de Julio Casares nesta sexta-feira (16) e as acusações que abalaram o Morumbis.

Conselho do São Paulo vota impeachment de Julio Casares nesta sexta
Julio Casares, presidente do São Paulo, em entrevista ao ge — Foto: Bruno Giufrida

O São Paulo vive uma sexta-feira decisiva para o futuro político do clube. A partir das 18h30 (de Brasília), o Conselho Deliberativo se reúne no Morumbis para votar o pedido de impeachment do presidente Julio Casares, em uma sessão que poderá definir os rumos da gestão até 2026.

Após decisão liminar da Justiça, a reunião ocorrerá em modelo híbrido, permitindo que os conselheiros votem de forma presencial ou virtual. A votação será secreta.

Como funciona a votação

A 3ª Vara Cível do Butantã determinou que serão necessários 170 votos favoráveis para que o impeachment seja aprovado no Conselho. Embora o Estatuto exija a presença mínima de 75% do quórum — o equivalente a 191 conselheiros —, a destituição do presidente depende apenas de dois terços dos votos válidos.

Atualmente, o São Paulo conta com 255 conselheiros, sendo 254 aptos a votar.

Se o impeachment for rejeitado no Conselho

Caso o número de votos a favor não alcance os 170 necessários, Julio Casares permanece no cargo até o fim do mandato, previsto para dezembro de 2026, e o processo é automaticamente encerrado.

Se o impeachment for aprovado no Conselho

Com a aprovação, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, terá até 30 dias para convocar uma Assembleia Geral de sócios. Durante esse período, Julio Casares ficará afastado do cargo, e o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assumirá interinamente a presidência.

Votação na Assembleia Geral

Na Assembleia, o impeachment será decidido pelos sócios do clube. Nesse caso, é necessária maioria simples para confirmar a destituição definitiva do presidente.

  • Se aprovado, Julio Casares perde definitivamente o cargo, e Harry Massis Junior assume a presidência até o fim do mandato, em dezembro de 2026.

  • Se rejeitado, Casares retorna ao cargo e segue como presidente até o término da gestão.

A eleição para definir o novo presidente do São Paulo para o triênio 2027/2028/2029 está prevista para o fim deste ano, mas ainda não há candidatos oficialmente confirmados.

Entenda o caso

O pedido de impeachment foi protocolado em 23 de dezembro, com 57 assinaturas, por conselheiros ligados à oposição do clube, representada pelo grupo Salve o Tricolor Paulista, além de 13 membros da situação.

A pressão sobre Julio Casares aumentou após reportagem do ge revelar a exploração irregular de um camarote no Morumbis, envolvendo dois diretores da atual gestão, posteriormente afastados. Áudios atribuídos a Mara Casares e Douglas Schwartzmann indicariam a participação em um esquema de uso ilegal do espaço durante um show da cantora Shakira, em fevereiro de 2025.

Paralelamente, a Polícia Civil conduz investigações em diferentes frentes, incluindo supostas irregularidades no departamento de futebol e a movimentação financeira do clube e do próprio presidente. Entre os pontos apurados estão depósitos em dinheiro que somam R$ 1,5 milhão nas contas de Julio Casares e 35 saques realizados nas contas do São Paulo entre 2021 e 2025, que totalizam R$ 11 milhões.

A votação desta sexta-feira pode definir não apenas o futuro da atual gestão, mas também o cenário político do Tricolor para os próximos anos.