Como ficam o governo e a estrutura de poder na Venezuela com a prisão de Maduro?

O governo da Venezuela passa por uma reconfiguração após a captura de Nicolás Maduro. Saiba como Delcy Rodríguez, Diosdado Cabello e as Forças Armadas disputam o poder e a estabilidade do regime sob influência militar dos EUA.

Jan 4, 2026 - 13:41
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Como ficam o governo e a estrutura de poder na Venezuela com a prisão de Maduro?

   Com a captura de Nicolás Maduro e sua transferência para Nova Iorque, a Venezuela entra em um período de forte incerteza institucional. Embora a vice-presidente Delcy Rodríguez afirme que Maduro continua sendo o único presidente legítimo, o Tribunal Supremo de Justiça determinou que ela assuma interinamente o comando do país. A medida ocorre em meio a um ataque militar dos Estados Unidos e à ameaça de novas operações, o que acelera a reconfiguração do núcleo de poder chavista.

   Como presidente interina, Delcy Rodríguez passa a governar sob um decreto de estado de comoção exterior, que amplia significativamente seus poderes. O dispositivo permite a mobilização da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), o controle de serviços públicos e a ativação de planos especiais de segurança. Caso a sucessão seja oficializada, Rodríguez se tornaria a primeira mulher a liderar o Executivo venezuelano, apoiada por uma longa trajetória em cargos estratégicos desde o governo Hugo Chávez.

   A ala civil do regime é comandada em conjunto com seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e peça-chave na engrenagem legislativa e política do chavismo. Ele ocupa posição central na linha sucessória constitucional, mas seu silêncio público após a prisão de Maduro chama atenção. Paralelamente, outro nome histórico segue relevante: Diosdado Cabello, ministro do Interior, considerado por muitos o verdadeiro “número dois” do chavismo, com forte influência política e simbólica junto às bases civis e militares.

   No campo militar, o principal pilar do regime continua sendo o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que lidera a FANB desde 2014. Apesar de ser alvo de acusações de narcotráfico pelos Estados Unidos, rejeitadas pelo governo venezuelano, Padrino é visto como o fiador da lealdade das Forças Armadas. Sua atuação foi decisiva em momentos de crise anteriores, garantindo a coesão militar diante de protestos, denúncias de conspiração e tentativas de ruptura institucional.

   Além das Forças Armadas, o chavismo mantém o controle interno por meio dos serviços de inteligência — SEBIN e DGCIM —, apontados por organismos internacionais como instrumentos centrais de repressão à dissidência. Somam-se a eles os chamados “coletivos chavistas”, grupos paramilitares que atuam especialmente em áreas populares, e a milícia bolivariana, formada por civis. Diante da pressão externa e da possibilidade de novos ataques dos EUA, o grande desafio do regime passa a ser preservar a unidade interna sem provocar fissuras entre civis, militares e forças de segurança.

 

Fonte: R7

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