Zema oficializa pré-candidatura à Presidência em meio a desafios e disputa pelo eleitorado de direita

Zema oficializa pré-candidatura à Presidência em meio a desafios e disputa pelo eleitorado de direita
Depois de sair vitorioso das duas únicas eleições que participou, Zema se prepara para concorrer à Presidência. Foto: SECOM MG

Neste sábado (16/8), em evento em São Paulo, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), oficializa sua pré-candidatura à Presidência da República, marcando sua entrada em uma disputa que promete ser acirrada. Com seis anos e oito meses à frente do Executivo mineiro – incluindo uma reeleição em primeiro turno em 2022 –, Zema busca agora superar dois obstáculos principais: o desconhecimento nacional e a concorrência com outras figuras da direita pelo espaço deixado por Jair Bolsonaro (PL), inelegível.

O desafio do desconhecimento

Uma pesquisa da Quaest em junho revelou que 60% dos eleitores brasileiros não conhecem Zema – desempenho apenas pior que o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), com 62%. Diante disso, sua equipe optou por antecipar o lançamento da pré-candidatura, apostando que o tempo extra será crucial para construir reconhecimento fora de Minas.

Nos últimos meses, Zema intensificou agendas em outros estados, concedeu entrevistas a veículos do eixo Rio-São Paulo e participou de podcasts conservadores, além de investir em ataques ao PT, ao governo Lula e ao STF nas redes sociais. Entre 5 de junho e 5 de julho, 70% de suas postagens não relacionadas a Minas criticavam indiretamente o petismo ou o Supremo.

A disputa pelo eleitorado bolsonarista

Zema flerta com o bolsonarismo, buscando herdar parte do eleitorado de Bolsonaro. No entanto, a concorrência é acirrada:

  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): Governador de SP visitou Bolsonaro na prisão, sinalizando busca por apoio.

  • Clã Bolsonaro: Michelle, Flávio e Eduardo Bolsonaro podem entrar na corrida.

  • Outros governadores: Ratinho Jr. (PSD-PR), Caiado (União Brasil-GO) e Eduardo Leite (PSD-RS) também são cotados.

Para o publicitário Acácio Veras, Zema corre o risco de ser "boi de piranha" ao se lançar tão cedo:
"Ele pode ser alvo de fogo amigo da própria direita. Seu desafio é se diferenciar como uma nova liderança, sem se prender ao extremismo."

Estratégia: Novidade vs. Tradição

Apesar das incertezas, aliados veem no desconhecimento um trunfo:
"Zema é uma novidade em um momento em que a política tradicional é rejeitada", defende uma fonte próxima.

Seu evento em São Paulo, que celebra os 10 anos do Novo, será o primeiro teste de fogo para ver se o governador mineiro consegue transformar projeção estadual em capital nacional. Enquanto isso, a direita se prepara para uma disputa interna que pode definir quem enfrentará Lula (ou seu sucessor) em 2026.

>> Em jogo: Quem ocupará o vácuo de Bolsonaro? Zema aposta no antipetismo e na imagem de gestor, mas precisará vencer a batalha contra o anonimato e a fragmentação da direita.