Zelda Williams critica vídeos de IA que recriam voz e imagem de Robin Williams

Out 7, 2025 - 15:17
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Zelda Williams critica vídeos de IA que recriam voz e imagem de Robin Williams
Robin Williams teria doença grave incurável. Foto: Hot Gossip Italia / Flickr

A diretora Zelda Williams, filha do lendário comediante Robin Williams, fez um desabafo contundente nas redes sociais nesta terça-feira (7/10), pedindo que fãs parem de enviar vídeos de seu pai recriado por inteligência artificial (IA). O ator, que morreu em 2014 aos 63 anos, segue sendo homenageado — e, segundo Zelda, também explorado,  em conteúdos digitais que imitam sua voz e aparência.

“Por favor, parem de me enviar vídeos de IA do papai. Parem de acreditar que eu quero ver isso ou que vou entender, eu não quero e não vou”, escreveu Zelda em seus stories no Instagram. “Se você está apenas tentando me provocar, já vi coisas piores, vou restringir e seguir em frente. Mas, por favor, se você tem alguma decência, pare de fazer isso com ele e comigo, com todos, ponto final. É estúpido, é uma perda de tempo e energia, e acredite, NÃO é o que ele gostaria.”

A cineasta, que recentemente dirigiu o filme Lisa Frankenstein, criticou duramente a forma como o uso de IA tem transformado a memória de artistas falecidos em material de consumo. “Assistir aos legados de pessoas reais serem reduzidos a ‘isso vagamente se parece e soa como eles, então isso é suficiente’, apenas para que outras pessoas possam produzir conteúdo horrível no TikTok manipulando-os, é enlouquecedor”, afirmou.

Em um tom mais reflexivo, Zelda comparou o fenômeno à industrialização da arte.

“Você não está fazendo arte. Está fazendo cachorros-quentes nojentos e superprocessados das vidas de seres humanos, da história da arte e da música  e depois empurrando-os goela abaixo de outra pessoa, esperando que te deem um ‘joinha’ e gostem. Nojento”, declarou.

A diretora também rebateu o argumento de que a inteligência artificial representa o “futuro” do entretenimento. Para ela, o que ocorre é o contrário: uma repetição sem alma.

“E pelo amor de tudo, parem de chamar isso de ‘o futuro’. IA está apenas reciclando e regurgitando mal o passado para ser reconsumido. Você está consumindo o Centopeia Humana de conteúdo — e do final da linha, enquanto as pessoas na frente riem e consomem”, completou.

Um debate que já dura anos

Não é a primeira vez que Zelda se manifesta sobre o tema. Em 2023, durante a greve do sindicato dos atores dos Estados Unidos (SAG-AFTRA), ela já havia criticado o uso de IA para recriar seu pai e outros artistas sem consentimento. Na época, a questão se tornou um dos principais pontos de negociação entre o sindicato e os estúdios de Hollywood.

“Eu não sou uma voz imparcial na luta do SAG contra a IA. Eu testemunhei por anos quantas pessoas querem treinar esses modelos para criar ou recriar atores que não podem consentir  como o papai. Isso não é teórico, é muito, muito real”, escreveu Zelda naquela ocasião.

A diretora também contou já ter ouvido a voz de Robin Williams recriada artificialmente, em gravações que o faziam “dizer o que as pessoas queriam”. Para ela, o problema vai além do desconforto pessoal: “As ramificações disso vão muito além dos meus próprios sentimentos.”

Com a repercussão da nova manifestação, o nome de Zelda entrou nos assuntos mais comentados nas redes sociais. Sua crítica reacende o debate ético sobre o uso de inteligência artificial para reviver vozes e rostos de artistas  uma prática cada vez mais comum em plataformas de vídeo e até em produções audiovisuais.

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