Um mês após tragédia em Juiz de Fora, moradores ainda convivem com medo e dificuldades na reconstrução
Dois meses após a tempestade que deixou 66 mortos em Juiz de Fora, a cidade recebe R$ 85 milhões para reconstrução. Moradores ainda enfrentam traumas e insegurança. Confira o balanço das ações.
Mais de um mês após a tempestade que atingiu Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, moradores seguem enfrentando as consequências da tragédia que deixou 66 mortos e destruiu casas, histórias e rotinas. Apesar dos esforços de reconstrução, o sentimento predominante entre os sobreviventes ainda é de medo e insegurança diante de novas chuvas.
O temporal ocorreu na noite de 23 de fevereiro e provocou deslizamentos de terra e enxurradas em diversos bairros. O Parque Burnier foi uma das áreas mais afetadas, concentrando parte significativa das vítimas. Desde então, a cidade tenta retomar a normalidade, mas as marcas do desastre continuam presentes no cotidiano da população.
Entre os moradores, o impacto emocional é um dos principais desafios. Relatos apontam para dificuldades no processo de luto e na retomada da rotina. A cada nova chuva, o receio de que a tragédia se repita reforça o estado de alerta constante.
Além das perdas humanas, os efeitos também se refletem na saúde dos atingidos. Há casos de agravamento de doenças pré-existentes, associados ao estresse e às condições enfrentadas após o desastre. Famílias relatam dificuldades no acesso a serviços e auxílios, além da demora em processos de assistência.
A insegurança estrutural também preocupa. Em áreas consideradas de risco, moradores relatam falta de vistorias e acompanhamento técnico, o que aumenta a sensação de abandono. Muitos enfrentam o dilema entre deixar suas casas por segurança ou permanecer para evitar perdas materiais, como furtos.
Recursos e ações de reconstrução
O governo federal anunciou a liberação de R$ 85 milhões para ações de reconstrução em Juiz de Fora e Ubá, outro município afetado pelas chuvas. Do total, R$ 67,4 milhões já foram empenhados. Os recursos são destinados à assistência humanitária, recuperação de infraestrutura e apoio à população atingida.
Entre as medidas estão o pagamento do Auxílio Reconstrução, no valor de R$ 7.300 por família, programas habitacionais para quem perdeu moradia e linhas de crédito para empresas impactadas. Na área da saúde, cerca de R$ 14,9 milhões foram destinados a atendimentos emergenciais, vacinação e apoio psicossocial.
Segundo a prefeitura de Juiz de Fora, mais de sete mil ocorrências de vistoria em imóveis foram registradas, com a maioria já atendida. Famílias foram realocadas temporariamente, e serviços públicos vêm sendo restabelecidos gradualmente, incluindo transporte, limpeza urbana e funcionamento de escolas.
Apesar das ações, moradores afirmam que a reconstrução ainda é lenta diante da dimensão das perdas. A tragédia segue como uma ferida aberta na cidade, marcada por luto, incertezas e pela necessidade de reconstrução não apenas estrutural, mas também emocional.
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