Tremores de terra na Grande BH: especialista explica possíveis causas
Dois sismos foram registrados em Contagem com magnitude de até 2,9 na escala Richter
Dois tremores de terra atingiram a Região Metropolitana de Belo Horizonte entre a noite dessa terça-feira (16/9) e a madrugada desta quarta-feira (17/9). Com epicentro em Contagem, os sismos tiveram magnitude de 2,9 e 2,5 na escala Richter, respectivamente.
Diogo Amorim, geólogo e professor do curso de Engenharia de Minas do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), explica que os tremores são mais comuns do que o imaginado, principalmente em Minas Gerais, que é o estado que mais tem essa percepção de ocorrência de tremores de terra ao nível nacional.
Tais tremores, segundo o especialista, são, principalmente, consequência de dois pontos: o primeiro é a interação entre as placas tectônicas. Embora o território brasileiro esteja posicionado em uma área de relativa estabilidade, dentro da placa sul-americana, a propagação de ondas sísmicas provenientes de eventos distantes é possível. Por exemplo, um terremoto com epicentro na região andina, como no Chile, pode ter suas ondas sísmicas perceptíveis no interior do continente. A segunda causa e mais possível em Minas Gerais, por exemplo, são as falhas geológicas existentes nas placas tectônicas, como falhas geotérmicas e geodinâmicas. Mesmo em regiões estáveis, como o Brasil, essas falhas podem gerar pequenos tremores. Acomodação dessas falhas, resultante da tensão sísmica, libera energia que se manifesta em microtremores. As falhas geodinâmicas estão ligadas ao movimento das placas e à liberação de energia, enquanto as geotérmicas funcionam como canais que permitem a circulação de calor e água no subsolo, deixando o terreno mais frágil. Mesmo em áreas estáveis, a acomodação desses pontos de fragilidade pode ser suficiente para gerar abalos perceptíveis.
“Quando a gente fala de pequenos tremores, ele é medido em uma escala, que é a escala Richter. Ela vai de 0 até 10, porque foram sentidos poucos sismos que ultrapassaram esses valores altos. Nessa medição desse sismo que ocorreu na Região Metropolitana entre 2 e 3, foi ali 2,5, numa percepção chegou até 2,9, o que significa isso? São pequenos sismos considerados microtremores, então a gente tem microtremores ocorrendo ali de 0 até 4 na escala Richter. Ela tem uma variação exponencial. Por exemplo, se o tremor for 1, ele é uma percepção muito pequena; agora, se ele já for 2, é 10 vezes superior ao número 1, então ele é potencial. Por exemplo, a gente teve alguns tremores no Chile alguns anos atrás que chegaram a 7,9, a 9. Esses tremores eles foram 10, 20, 30, 40, 70 vezes superiores ao tremor sentido nessa madrugada”, explica.
Conforme Amorim, não houve alerta de sismos na Região Metropolitana de Belo Horizonte devido à ausência de equipamentos desse nível no interior do continente, já que não há necessidade de tanta previsibilidade, pois isso ocorre apenas em áreas de alto risco, como na convergência de placas tectônicas. É também por causa da ausência desses equipamentos que, segundo o especialista, não é possível prever se novos tremores podem ou não acontecer em breve.
Números
Amorim lembra que, neste ano, foram registrados 34 tremores de terra no Brasil, sendo 18 deles em Minas Gerais. No entanto, não há consenso sobre o porquê houve um maior número de ocorrências no estado do que em outros.
Fonte: O Tempo
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