Trabalhador morre após acidente com máquina em área da Vale em Brumadinho; caso é investigado

Investigação apura a morte de Thairone Nogueira, de 28 anos, em Brumadinho. Acidente ocorreu em área atingida pelo rompimento da barragem da Vale. Veja detalhes.

Jan 19, 2026 - 16:54
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Trabalhador morre após acidente com máquina em área da Vale em Brumadinho; caso é investigado
O sindicato aguarda o compartilhamento do boletim de ocorrência para entender as circunstâncias exatas do acidente de trabalho. crédito: Unsplash / Reprodução - Foto ilustrativa

A Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais investiga um grave acidente de trabalho que resultou na morte de Thairone Nogueira dos Santos, de 28 anos, na manhã de sábado (17/1), em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O trabalhador teve a perna prensada por uma máquina durante a execução de atividades e morreu a caminho do hospital, após ser resgatado.

Segundo a Superintendência, Thairone era funcionário da Construtora Pontal, empresa terceirizada da mineradora Vale, e atuava na região de Remanso — uma das áreas atingidas pelo rompimento da barragem B1, em Córrego do Feijão. O local carrega até hoje as marcas do desastre ocorrido em janeiro de 2019, considerado uma das maiores tragédias da história recente do país.

As circunstâncias do acidente ainda serão apuradas. A fiscalização irá investigar possíveis falhas de segurança, o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e as condições do ambiente de trabalho no momento do ocorrido. De acordo com o superintendente do Trabalho, Carlos Calazans, a apuração será conduzida com celeridade, sem abrir mão do rigor técnico.

“É com muita tristeza que recebemos a informação sobre a morte de mais um trabalhador. Não podemos mais aceitar que pessoas saiam de suas casas para trabalhar e não retornem por falta de segurança, especialmente em um cenário marcado pelos traumas de uma das maiores tragédias do país”, afirmou Calazans.

Ele se referiu ao rompimento da barragem B1, que matou 272 pessoas em 25 de janeiro de 2019, quando cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram liberados. Seis anos depois, ainda não houve julgamento ou punição definitiva dos responsáveis pelo desastre.

Em publicação nas redes sociais, a Construtora Pontal informou que Thairone possuía todos os cursos e certificações exigidos para a função e utilizava corretamente os EPIs no momento do acidente. A empresa declarou ainda que segue rigorosamente as normas técnicas e legais de segurança e que, em respeito à família, não divulgará mais detalhes.

A Vale também lamentou a morte do trabalhador, informou que acompanha a empresa contratada na assistência aos familiares e afirmou que ambas iniciaram investigações internas para apurar as causas do acidente.

O presidente do Sindicato Metabase de Brumadinho, Agostinho José de Sales, disse que a entidade acompanha o caso e já fez um encaminhamento ao Ministério Público do Trabalho solicitando investigação. Segundo ele, até o momento, a empresa não compartilhou o boletim de ocorrência com o sindicato.

Procuradas pela reportagem, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que ainda não foi acionada para acompanhar o caso. A Polícia Militar também afirmou não ter registro da ocorrência.

A morte de Thairone reacende o debate sobre segurança do trabalho em áreas de risco e reforça a cobrança por fiscalização rigorosa e responsabilização, especialmente em regiões ainda marcadas por tragédias que expuseram falhas graves na proteção à vida dos trabalhadores.

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