SUS inicia transição histórica e amplia uso de insulina moderna no tratamento do diabetes
Ministério da Saúde inicia transição da insulina NPH para a análoga glargina no SUS. Projeto-piloto beneficia crianças e idosos em quatro estados. Entenda os critérios e as vantagens do novo tratamento.
O Ministério da Saúde anunciou, na última sexta-feira (6/2), uma mudança significativa no tratamento do diabetes oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta deu início à transição gradual da insulina humana NPH para a insulina análoga de ação prolongada glargina, considerada mais moderna e eficaz, em uma medida classificada como um avanço histórico na assistência às pessoas que convivem com a doença no Brasil.
A insulina glargina tem ação prolongada de até 24 horas e, em muitos casos, permite apenas uma aplicação diária, o que pode facilitar a rotina dos pacientes e melhorar a adesão ao tratamento. A implementação começa por meio de um projeto-piloto em quatro unidades da federação — Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal — com a estimativa de beneficiar mais de 50 mil pessoas nesta primeira etapa.
Inicialmente, a transição será direcionada a dois grupos prioritários: crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais, diagnosticados com diabetes tipo 1 ou tipo 2. O Ministério ressalta que a substituição não será automática. Cada paciente passará por avaliação individualizada, levando em conta o quadro clínico e a indicação médica.
Para garantir a segurança do processo, profissionais da Atenção Primária à Saúde estão sendo capacitados para conduzir a mudança nos territórios selecionados. Os treinamentos começaram em 27 de janeiro de 2026 e seguem até meados de fevereiro, abordando desde o uso correto das canetas aplicadoras até técnicas adequadas de administração da insulina.
Após os primeiros meses de execução do projeto-piloto, o governo federal pretende avaliar os resultados para estruturar um plano de ampliação da oferta da glargina para outros estados. O medicamento já é produzido no Brasil por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que envolve o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.
Somente em 2025, mais de 6 milhões de unidades da insulina glargina foram entregues ao SUS, com investimento aproximado de R$ 131 milhões. A expectativa do Ministério da Saúde é que, até o fim de 2026, a produção alcance 36 milhões de tubetes, garantindo o abastecimento da rede pública.
Paralelamente, a pasta reforçou que segue investindo na produção nacional das insulinas humanas NPH e regular, consideradas estratégicas. Para isso, mantém parcerias com a farmacêutica indiana Wockhardt, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm. As ações fazem parte das diretrizes do Grupo de Trabalho da Insulina, criado em novembro de 2025 para aprimorar a insulinoterapia no SUS em um cenário global de restrição de insumos.
Atualmente, antes da transição, o SUS ofertava quatro tipos de insulina — humanas NPH e regular, além de análogas de ação rápida e prolongada — e medicamentos orais para o tratamento do diabetes mellitus. A iniciativa reforça o compromisso do sistema público com a assistência integral, desde o diagnóstico até o acompanhamento contínuo, com a Atenção Primária como porta de entrada e base do cuidado.


Gabriella Nobre 




