A pré-temporada da Fórmula 1 começou com frustração para a Aston Martin. No segundo dia de testes no Circuito de Sakhir, no Bahrein, Lance Stroll admitiu que o novo AMR26 está longe do desempenho esperado — e recorreu à ironia ao apontar o único ponto positivo do carro.
— A decoração é bonita — disse o canadense ao ser questionado sobre o que havia de animador no projeto.
Segundo Stroll, a equipe aparenta estar cerca de quatro segundos atrás das principais rivais.
— Neste momento, parece que estamos a quatro segundos das melhores equipes, talvez quatro e meio. É impossível saber as cargas de combustível dos outros, mas precisamos encontrar esses quatro segundos. Vamos ver.
Nova era com motor Honda
Até 2025, a Aston Martin utilizava unidades de potência da Mercedes. Para 2026, iniciou a parceria com a Honda — fornecedora que esteve com a Red Bull até a mudança da equipe austríaca para a Ford neste novo ciclo regulatório.
Com o regulamento técnico reformulado, os motores ganharam ainda mais peso no desempenho geral dos carros. O novo chefe de equipe, Adrian Newey, já havia alertado que a unidade de potência teria papel decisivo na competitividade sob as novas regras.
Projeto começou com atraso
Além da adaptação ao novo motor, a equipe enfrentou dificuldades estruturais no desenvolvimento do carro. Newey revelou recentemente que o projeto começou com cerca de quatro meses de atraso em relação aos concorrentes.
Segundo ele, o novo túnel de vento da equipe só ficou pronto em abril, e o primeiro modelo do carro de 2026 foi colocado para testes aerodinâmicos apenas em meados daquele mês. Enquanto isso, outras equipes já trabalhavam desde janeiro do ano anterior, assim que a restrição de testes para o novo regulamento foi encerrada.
O ciclo apertado de pesquisa e desenvolvimento fez com que o AMR26 ficasse pronto praticamente no limite do prazo, o que inclusive comprometeu o cronograma do shakedown realizado em Barcelona.
Resultados preocupantes nos testes
O desempenho na pista reforçou o clima de apreensão. No primeiro dia de testes no Bahrein, Stroll terminou com o penúltimo tempo. No dia seguinte, seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, foi o antepenúltimo na tabela.
De acordo com o jornalista espanhol Antonio Lobato, Alonso demonstrou irritação nos boxes após uma das sessões. O bicampeão mundial já havia sinalizado, no lançamento do carro, que o início da temporada poderia ser complicado e que o foco maior estaria no desenvolvimento ao longo do ano.
— Não estou muito preocupado com as primeiras corridas. O campeonato será mais influenciado pela segunda metade da temporada. Precisamos entender bem o carro agora e traçar um caminho claro de evolução — afirmou o espanhol anteriormente.
Problemas múltiplos
Stroll explicou que as dificuldades não estão concentradas em apenas um setor do carro.
— É uma combinação de coisas: motor, equilíbrio, aderência. Não é só um problema. Quando você está atrás, precisa encontrar desempenho em todo o pacote. Ninguém fica parado na Fórmula 1.
A expectativa da equipe é levar atualizações tanto para o motor quanto para o chassi ao longo das primeiras etapas. A abertura da temporada acontece em Melbourne, na Austrália, e deve servir como primeiro termômetro real do nível competitivo da Aston Martin neste novo ciclo técnico.
Por ora, segundo o próprio piloto canadense, o trabalho é buscar evolução rápida — porque, até aqui, apenas a pintura do carro tem agradado plenamente.