O Hospital Júlia Kubitschek (HJK), integrante da Rede Fhemig, passou a utilizar neste mês a técnica de retalhos microcirúrgicos para reconstrução de tecidos. O procedimento, já realizado no Hospital João XXIII, começa agora a integrar a rotina da unidade, ampliando as alternativas de tratamento para pacientes com feridas complexas, traumas graves, sequelas de queimaduras e outras condições que demandam esse tipo de intervenção.
A técnica envolve a retirada de tecido do próprio paciente como pele e gordura da coxa juntamente com seus vasos sanguíneos, para posterior implantação na área lesionada. Com auxílio de lupas ou microscópio cirúrgico, os profissionais conectam os vasos na região afetada, possibilitando que o tecido sobreviva no novo local, favorecendo a cicatrização e a recuperação funcional.
Ampliação da assistência no SUS
De acordo com a cirurgiã plástica Vivian Lemos, responsável pela implantação do serviço no HJK, o primeiro procedimento realizado na unidade foi voltado à reconstrução de partes moles de um membro inferior, que incluem músculos, gordura, tendões, ligamentos e outras estruturas. A cirurgia foi conduzida em conjunto com a equipe de ortopedia, como etapa preparatória para posterior reconstrução óssea.
“É um transplante de tecidos do próprio paciente. Conseguimos planejar e executar o procedimento em poucos dias, com o apoio do bloco cirúrgico e da equipe de enfermagem”, afirma.
A próxima etapa, segundo a médica, é expandir o uso da microcirurgia para reconstruções mamárias e tratamento de sequelas de queimaduras em pacientes atendidos no hospital. Ela ressalta ainda que a iniciativa contribui para a formação dos residentes em cirurgia plástica. “A formação dos residentes em cirurgia plástica fica diferenciada, porque eles passam a ter acesso a uma ferramenta fundamental para o cuidado de pacientes queimados e vítimas de trauma”, destaca.
A diretora-geral do Complexo Hospitalar de Especialidades (CHE), ao qual o HJK está vinculado, Cláudia Andrade, considera a incorporação da técnica um avanço significativo para o Sistema Único de Saúde (SUS).
“A microcirurgia é uma estratégia extremamente complexa e revolucionária para casos graves. Muitas vezes, ela permite a reparação de membros que, no passado, poderiam ter desfechos muito mais traumáticos. É uma entrega grandiosa para os nossos usuários”, avalia.
Cláudia também enfatiza que a implementação do serviço depende da integração entre diferentes especialidades e da estrutura hospitalar adequada. “Esse tipo de procedimento só é possível com a atuação conjunta de diferentes áreas, aliada ao uso de equipamentos específicos. É um trabalho de alta precisão, que promove mais qualidade de vida ao paciente”, conclui.