Arlie Moura, irmão de Eliza Samudio, participou no último fim de semana da Caminhada da Paz – Prevenção à Violência Doméstica, realizada em Jandira, na Grande São Paulo. O ato reuniu moradores, coletivos femininos e lideranças políticas para lembrar vítimas de feminicídio e reforçar o pedido por políticas públicas mais eficazes de proteção às mulheres. Entre os nomes lembrados, o de Eliza, assassinada em 2010, voltou a ecoar como símbolo de uma violência que ainda marca o país.
Após a passeata, organizada pelo grupo Mulheres da Várzea, Arlie conversou com exclusividade com a coluna Fábia Oliveira e falou sobre a dor da perda e a importância da mobilização. Segundo ele, desde 2022 o coletivo ocupa as ruas para cobrar justiça, paz e o fim da violência contra as mulheres. “A gente pede por justiça e por leis mais rígidas porque nós queremos mulheres vivas”, afirmou, adiantando que uma nova ação está prevista para o mês de março.
Durante o evento, também foi realizado um abaixo-assinado que pede o endurecimento das leis relacionadas à violência contra a mulher. O documento será encaminhado a Brasília. “Estamos cansados de feminicídios e de tanta violência. O assassino mata, sai, volta para o convívio da sociedade, mas quem fica presa é a família da vítima. E a vítima, infelizmente, não pode mais seguir com seus sonhos, sua carreira, com nada”, desabafou.
Emocionado, Arlie relatou o impacto pessoal de participar da caminhada carregando uma faixa com a foto da irmã. “Foi muito lindo, muito emocionante, uma energia fortíssima”, contou. Ele disse ainda ter sentido a presença de Eliza durante o ato. “É importante estar à frente desses movimentos para dar um basta nessa onda alarmante de violência. Minha irmã foi mais uma. Tenho certeza de que a Eliza se fez presente. Dar voz para que outras famílias não passem pelo que a minha passou acalenta o meu coração”, concluiu.