Mulheres vítimas de violência doméstica em Minas Gerais estão recebendo apoio para reconstrução física e emocional por meio do projeto “Recomeçar”, iniciativa desenvolvida em parceria entre a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A ação oferece cirurgias plásticas gratuitas para mulheres que sofreram sequelas graves após agressões.
Entre as participantes está Kelly Shirlene Ferreira, corretora de imóveis que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio depois de ter o corpo incendiado pelo ex-companheiro. Ela sofreu queimaduras de terceiro grau e busca, por meio do projeto, minimizar as cicatrizes deixadas pela violência.
Outra beneficiada é Ana Paula Dias, gari que foi esfaqueada sete vezes pelo ex-companheiro durante o trabalho. Segundo ela, as marcas das agressões ainda causam desconforto e impactam sua autoestima.
De acordo com os organizadores, o projeto já realizou cerca de 200 atendimentos em todo o Brasil. Nesta primeira fase em Minas Gerais, 16 mulheres foram encaminhadas pela Justiça para acompanhamento especializado.
Seis delas já passaram por avaliação médica e devem realizar os procedimentos cirúrgicos nos próximos 45 dias. A expectativa é ampliar o número de mulheres atendidas pela iniciativa.
As cirurgias serão feitas em aproximadamente 15 serviços de ensino credenciados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica no estado, além de hospitais particulares parceiros.
O cirurgião plástico Luciano Ornelas Chaves afirmou que a proposta é reunir instituições hospitalares e centros de ensino para fortalecer o atendimento às vítimas.
Segundo a juíza Cibele Mourão Barroso, o projeto também conta com apoio de órgãos públicos e instituições como Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, OAB e prefeituras, que auxiliam inclusive no transporte de mulheres que vivem fora de Belo Horizonte.
Além da recuperação física, a iniciativa busca ajudar as vítimas a reconstruírem a autoestima e superarem os traumas causados pela violência doméstica.