PIB desacelera no 3º trimestre, inflação surpreende para baixo e especialistas analisam perspectivas para 2026

Análise do PIB e Inflação (4,4%) no 3º trimestre de 2025. Samuel Pessôa (FGV) avalia riscos fiscais e o cenário para o crescimento da economia brasileira em 2026.

PIB desacelera no 3º trimestre, inflação surpreende para baixo e especialistas analisam perspectivas para 2026
O resultado do PIB do terceiro trimestre mostrou uma desaceleração da economia brasileira. A perda de fôlego já era esperada, mas aponta para um crescimento acima de 2% no ano. TV Centro América

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2025, divulgado nesta quinta-feira (4) pelo IBGE, confirmou a perda de ritmo da economia brasileira. O avanço foi de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, sinalizando desaceleração após um início de ano mais robusto. Ainda assim, o desempenho mantém o país no caminho para fechar 2025 com crescimento acima de 2%.

Enquanto a atividade perde fôlego, a inflação segue trajetória oposta: recuou para 4,4% no acumulado dos últimos 12 meses, permanecendo dentro do limite da meta e abaixo das estimativas do mercado, que projetava alta de preços próxima de 6% para 2025.

Para analisar o cenário econômico, o jornalista Victor Boyadjian conversou com Samuel Pessôa, doutor em economia pela USP e pesquisador do FGV Ibre e do BTG Pactual. O especialista explicou por que os resultados do ano surpreenderam positivamente e quais são os riscos e desafios à frente.

Crescimento acima do previsto e alerta fiscal

Segundo Pessôa, o desempenho de 2025 ficou acima das previsões iniciais do mercado, impulsionado por um mercado de trabalho aquecido e pela manutenção do consumo. Ele ressalta, porém, que a desaceleração do PIB no terceiro trimestre já era esperada e indica uma transição natural para um ritmo mais moderado em 2026.

O economista chama atenção para possíveis "armadilhas" fiscais no próximo ano. Segundo ele, manter a confiança dos investidores dependerá do cumprimento das metas e da credibilidade da política fiscal. “O risco maior está no aspecto fiscal, que pode influenciar juros, inflação e expectativas de crescimento”, afirma.

Inflação menor apesar do emprego forte

Mesmo com índices de emprego em patamar considerado de quase pleno emprego, a inflação deixou de acelerar. Para Pessôa, esse comportamento está ligado à combinação entre produtividade, câmbio mais estável e uma composição de demanda menos pressionada por bens e serviços sensíveis ao mercado de trabalho.

O movimento reforça expectativas de que a taxa de juros poderá iniciar 2026 em trajetória de estabilidade, desde que os indicadores fiscais e inflacionários continuem sob controle.

Bolsa em recorde e cenário para 2026

Outro ponto analisado por Pessôa é o desempenho da bolsa de valores. O Ibovespa fechou recentemente aos 164 mil pontos, atingindo novo recorde histórico, impulsionado pelo otimismo dos investidores em relação ao PIB e ao cenário macroeconômico.

Para 2026, o economista prevê um ambiente de maior cautela. Ele destaca que o país deverá lidar com incertezas externas como o cenário global de juros e internas, relacionadas ao equilíbrio das contas públicas e ao ritmo da atividade econômica.