PF prende ex-presidente do Rioprevidência em nova fase de operação sobre investimentos suspeitos

Ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, é preso pela PF na Operação Barco de Papel. Entenda o esquema de R$ 970 milhões que afetou servidores do RJ.

Fev 3, 2026 - 13:56
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PF prende ex-presidente do Rioprevidência em nova fase de operação sobre investimentos suspeitos
A gestão fraudulenta pode ter comprometido o pagamento de milhares de pensionistas e aposentados do Rio de Janeiro. PF/Divulgação Metropoles

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (3/2), a segunda fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo a gestão de recursos do Rioprevidência, fundo responsável pela previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. Entre os alvos está o ex-presidente do órgão, Deivis Marcon Antunes, preso nas primeiras horas do dia.

Além dele, outras duas pessoas tiveram mandados de prisão temporária cumpridos. Ao todo, a operação executa três prisões e nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de Santa Catarina. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, diante de indícios de obstrução das investigações e tentativa de ocultação de provas.

Segundo a Polícia Federal, após a primeira fase da operação, realizada em 23 de janeiro, surgiram novos elementos que apontam movimentações suspeitas por parte dos investigados, incluindo possível destruição de provas e transferência de bens. Diante do risco concreto à continuidade do inquérito, a Justiça autorizou as prisões temporárias.

Deivis Marcon Antunes foi detido durante abordagem a um veículo alugado na Via Dutra, no Sul Fluminense, próximo ao município de Resende. A ação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e da Delegacia Especial da PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Após a prisão, ele foi encaminhado à Delegacia da PF em Volta Redonda e, posteriormente, levado à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde permanece à disposição da Justiça.

As investigações apontam que os suspeitos teriam retirado documentos de endereços já alvos de busca, manipulado provas digitais e transferido dois veículos de luxo para terceiros, em uma suposta tentativa de ocultação patrimonial.

No centro da apuração estão investimentos realizados pelo Rioprevidência entre novembro de 2023 e julho de 2024, quando cerca de R$ 970 milhões teriam sido aplicados em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central. Segundo a PF, os títulos eram considerados de alto risco e não possuíam cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que pode ter colocado em risco recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores estaduais.

As aplicações já estavam sob questionamento há mais de um ano. Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) proibiu o Rioprevidência de realizar novos investimentos vinculados ao Banco Master, apontando indícios de gestão temerária. Mesmo assim, os aportes permaneceram no centro das decisões da antiga administração do fundo.

Além de Antunes, também são investigados o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram seus cargos após o avanço das apurações.

A Polícia Federal investiga crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, fraude a investidores, indução da administração pública a erro, associação criminosa e corrupção passiva. As defesas dos investigados não foram localizadas até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.

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