Minas Gerais registra alta súbita de incêndios florestais e alerta para riscos à saúde

Minas Gerais registra salto de 170% nas queimadas em abril. O tempo seco e a fumaça provocaram alta de 53% nas internações de crianças e decretos de emergência.

Mai 12, 2026 - 09:51
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Minas Gerais registra alta súbita de incêndios florestais e alerta para riscos à saúde
A estação seca deve se estender até outubro, com pancadas de chuva raras e isoladas. Mídia: G1 - Globo

Após um começo de ano marcado por baixa incidência de incêndios, Minas Gerais enfrenta um aumento significativo de queimadas em abril, acendendo alertas sobre os riscos para a população e o meio ambiente. Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) mostram que o estado registrou 918 ocorrências no mês, um salto de 170% em relação a abril de 2025, quando foram contabilizados 340 casos.

Em Belo Horizonte, os números também cresceram: de 37 ocorrências no mesmo período do ano passado, passaram para 42, aumento de 13,5%. O início da estiagem, aliado a feriados prolongados como Semana Santa, Tiradentes e Dia do Trabalhador, é apontado como o principal fator por trás do aumento. O feriado de Corpus Christi, no início de junho, preocupa ainda mais os militares, que alertam para a combinação perigosa de baixa umidade do ar, descuido humano e até ações criminosas.

“Estamos em uma crescente. O período de estiagem, junto com essa combinação de fatores, começa a se estabelecer de maneira mais evidente a partir de abril”, destaca o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do CBMMG. Ele reforça que parques, unidades de conservação e áreas de amortecimento sofrem maior risco durante feriados, quando visitantes inadvertidamente deixam fogueiras acesas ou geram focos de incêndio em lotes e margens de rodovias.

Um exemplo recente ocorreu em Juiz de Fora, na Zona da Mata, em 26 de abril, quando um incêndio consumiu 4 mil metros quadrados de vegetação em um lote vago. Foram usados 15 mil litros de água para conter as chamas, que atingiram um bambuzal e restos vegetais, favorecendo a propagação do fogo.

No acumulado do ano, o total de incêndios ainda é menor que em 2025: 1.960 ocorrências até abril, contra 3.667 do mesmo período do ano passado, uma queda de 46,5%. Em Belo Horizonte, a redução foi ainda maior, de 65%, com 54 registros até março de 2026. O recuo se deveu ao período chuvoso no início do ano, mas o cenário mudou a partir de abril, com novas ocorrências em maio já contabilizando 423 incêndios em todo o estado.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que o fenômeno El Niño deve intensificar ondas de calor e baixa umidade na Região Sudeste ainda no segundo semestre. Segundo o meteorologista do Inmet, Lizando Gemiacki, a estação seca deve manter a previsão de pouca chuva até outubro, com possibilidade de pancadas rápidas e localizadas, principalmente no Triângulo Mineiro e Sul do estado. A umidade do ar pode cair para 30% em maio e atingir níveis críticos de 12% a 15% entre agosto e setembro, especialmente nas regiões Norte e Nordeste de Minas.

O aumento das queimadas não ameaça apenas o meio ambiente, mas também a saúde da população. A pneumologista Michele Andreata explica que o ar seco e a fumaça das queimadas agravam doenças respiratórias, como asma, bronquite e DPOC, além de aumentar o risco de infecções, especialmente em crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Os poluentes gerados incluem material particulado fino e monóxido de carbono, que podem penetrar nos pulmões e na corrente sanguínea, provocando inflamações e complicações respiratórias.

Medidas simples, como evitar exposição direta à fumaça, usar umidificadores, manter boa hidratação e utilizar máscaras PFF2, são recomendadas, assim como atenção redobrada à higiene nasal e acompanhamento médico para pacientes com doenças crônicas.

A alta de doenças respiratórias já levou a decretos de situação de emergência em Belo Horizonte e outros oito municípios. A cidade abriu novos leitos pediátricos nos hospitais Odilon Behrens e João Paulo II, reforçando o atendimento durante a estação seca. Somente no primeiro trimestre de 2026, as internações pediátricas aumentaram 53% em comparação ao ano passado, refletindo a pressão sobre o sistema de saúde.

A vacinação é considerada a principal estratégia preventiva. Minas recebeu cerca de 3,2 milhões de doses contra influenza, e a meta é alcançar 90% de cobertura vacinal do público-alvo, que inclui crianças, gestantes, idosos, profissionais de saúde e grupos de risco. Desde janeiro, mais de 1,2 mil doses foram aplicadas apenas na capital.

Com a combinação de seca, feriados prolongados e o avanço das queimadas, Minas Gerais se mantém em alerta máximo, tanto para proteger a vegetação quanto para preservar a saúde da população.

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