Médica acusada de sequestrar bebê vira ré por mandar matar farmacêutica em Uberlândia

Neurologista Cláudia Soares Alves vira ré por mandar matar farmacêutica em Uberlândia. Saiba detalhes do crime planejado e a relação com o sequestro de bebê.

Fev 3, 2026 - 16:09
 0  60
Médica acusada de sequestrar bebê vira ré por mandar matar farmacêutica em Uberlândia
A trajetória criminal da neurologista ganhou os holofotes em agosto de 2024. Na ocasião, Cláudia se passou por pediatra para sequestrar uma recém-nascida em Uberlândia. Mídia/Reprodução: O Globo

A médica neurologista Claúdia Soares Alves, de 42 anos, voltou ao centro de um dos casos criminais mais complexos e chocantes do Triângulo Mineiro. Apontada como mandante do assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, morta em 2020, ela se tornou ré por homicídio qualificado após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A decisão foi tomada pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia no último dia 29 de janeiro.

Claúdia, que ganhou notoriedade nacional em 2024 após ser presa pelo sequestro de um bebê recém-nascido no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, responde agora por homicídio qualificado por motivo torpe, mediante pagamento e emboscada. Ela também foi denunciada por uso de documento falso, fraude processual e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

Além da médica, Paulo Roberto Gomes da Silva também se tornou réu no processo. Segundo o MPMG, ele teria sido o executor do crime. Ambos estão presos desde 5 de novembro de 2025, quando foram alvos de mandados de prisão temporária, posteriormente convertidos em preventiva.

Na decisão, o juiz Dimas Borges de Paula destacou a gravidade dos fatos. “Há provas da materialidade e indícios suficientes de autoria. Trata-se de homicídio qualificado, crime hediondo, evidenciando o risco social gerado pelos estados de liberdade dos acusados”, afirmou.

Em dezembro, a defesa de Claúdia tentou reverter a prisão por meio de habeas corpus, mas o pedido foi negado. O desembargador Jaubert Carneiro Jaques entendeu que a prisão preventiva estava devidamente fundamentada. “A decisão que impôs a segregação cautelar está embasada em elementos objetivos do caso”, registrou.

Segundo as investigações, a morte da farmacêutica Renata Bocatto Derani foi meticulosamente planejada. A vítima foi assassinada na porta do local de trabalho após receber uma falsa encomenda — um pacote que continha um pênis de borracha. Ao abrir o embrulho, Renata foi alvejada a tiros.

De acordo com o delegado Eduardo Leal, responsável pelo inquérito, o crime teria sido motivado por conflitos pessoais. Antes do assassinato, Claúdia teria se envolvido com o ex-marido da farmacêutica. O casal tinha uma filha, e a médica, segundo a polícia, tentou retirar o poder familiar da vítima para assumir a maternidade da criança.

Ainda conforme a investigação, Renata chegou a impedir que o pai tivesse contato com a filha enquanto estivesse com Claúdia. A polícia aponta que a neurologista participou da preparação do crime e atuou em conjunto com outros envolvidos. Dois suspeitos apontados como executores foram presos em novembro, em Itumbiara (GO).

Em outro episódio que chocou o país, Claúdia Soares Alves foi presa em flagrante em agosto de 2024 após sequestrar uma recém-nascida da maternidade do Hospital das Clínicas da UFU. Usando um crachá, ela entrou na unidade se passando por funcionária, apresentou-se como pediatra, examinou a mãe e o bebê e, em seguida, afirmou que levaria a criança para ser amamentada. A mulher não retornou.

A bebê foi colocada em uma mochila e levada de carro até Itumbiara, a cerca de 134 quilômetros de Uberlândia, onde a médica foi localizada horas depois com a criança. Imagens de câmeras de segurança foram decisivas para a prisão.

Na casa da investigada, a polícia encontrou um quarto preparado para receber a bebê, com enxoval, carrinho, fraldas e leite. Também havia um bebê reborn acomodado em um berço. As investigações apontaram que o crime foi premeditado.

Inicialmente autuada por sequestro qualificado, Claúdia acabou indiciada por tráfico de pessoas e falsidade ideológica. Ela permanece presa preventivamente em um presídio em Goiás. A defesa afirma que a médica sofre de transtornos mentais e que, no dia do sequestro, teria tido um surto psicótico por não ter tomado a medicação.

Agora ré em dois processos de extrema gravidade, Claúdia Soares Alves aguarda julgamento enquanto a Justiça apura a extensão de sua responsabilidade em crimes que chocaram Minas Gerais pela frieza e complexidade.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow