Lugares que marcaram gerações em Belo Horizonte

No Dia da Saudade, relembramos espaços que moldaram a identidade de Belo Horizonte, como o Cine Metrópole, a Mesbla e a Boate Olympia. Conheça as histórias que o tempo não apagou.

Jan 30, 2026 - 07:31
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Lugares que marcaram gerações em Belo Horizonte
Cinemas que reuniam famílias, lojas que ditavam tendências, lanchonetes que viraram ponto de encontro e casas noturnas estão entre os espaços que marcaram gerações e ajudam a contar a história da capital mineira. Foto: (Ascom/APCBH)

Belo Horizonte também é feita de memórias. Além de avenidas e edifícios, a capital mineira carrega histórias vividas em cinemas, lojas, praças, docerias e casas noturnas que ajudaram a moldar o cotidiano e a identidade cultural da cidade. Neste Dia da Saudade, celebrado nesta sexta-feira (30), cinco espaços que marcaram época em BH voltam à lembrança de quem viveu esses momentos.

Entre eles está o Cine Metrópole, que funcionou entre 1942 e 1983 no mesmo endereço do antigo Theatro Municipal. Inaugurado em 1906, o prédio passou por uma grande reforma no fim dos anos 1930, quando o estilo eclético deu lugar ao art déco, a pedido do então prefeito Juscelino Kubitschek. Após o anúncio da venda do cinema para um banco, em 1983, o Iepha-MG determinou o tombamento provisório do imóvel. A decisão foi contestada e, após a criação de uma comissão contrária à preservação, o prédio acabou demolido. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, o episódio motivou a criação de uma legislação municipal específica para a proteção do patrimônio cultural da cidade.

Outro ponto carregado de significado histórico é o Largo do Rosário, que guarda a memória de uma capela do século XIX construída pela Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. A edificação original foi demolida em 1897 pela Comissão Construtora da Nova Capital, e uma segunda capela foi erguida no local. Em 1923, uma decisão do bispo Dom Cabral proibiu as irmandades de realizarem celebrações nas igrejas católicas, empurrando essas manifestações para as periferias. Embora a festa do Rosário ainda exista, as tradições dos congados e reinados, antes presentes no centro, foram deslocadas para favelas e bairros periféricos, reflexo de um histórico processo de exclusão racial. Hoje, uma placa na esquina das ruas Timbiras e Bahia informa sobre os vestígios arqueológicos da antiga capela.

Símbolo do consumo e da modernidade nas décadas de 1970 e 1980, a Mesbla também deixou sua marca no centro da capital. Localizada no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Curitiba, a loja de departamentos vendia de tudo, de roupas a automóveis, e se tornou referência comercial e ponto de encontro. A rede encerrou as atividades em 1999, após enfrentar sucessivas crises financeiras.

Na vida noturna, a Boate Olympia se destacou como um dos espaços culturais mais emblemáticos dos anos 1980. Inaugurada em agosto de 1989 no Edifício JK, projeto de Oscar Niemeyer, a casa era considerada a maior de Minas Gerais e a terceira do país. Com uma proposta moderna, reunia música, dança e performances, atraindo um público ligado à cena artística e alternativa. Apesar da relevância, a boate teve curta duração e encerrou as atividades ainda no fim da década.

Já a Doce Docê marcou gerações entre os anos 1970 e 1990. Instalada na Avenida Afonso Pena, quase esquina com a Getúlio Vargas, a doceria se tornou famosa por popularizar a coxinha de frango com catupiry. O espaço acompanhava o movimento intenso do Hipercentro e funcionava como ponto tradicional de encontro de famílias, amigos e frequentadores da região central.

Para a empresária e colecionadora Maria Elvira, esses locais foram fundamentais na construção da memória afetiva da cidade. “Esses lugares eram muito mais do que prédios ou comércios. O Cine Metrópole, por exemplo, era um ponto chique no coração da cidade, e sua demolição foi um ato de violência contra a nossa história”, afirma. Ela também recorda a importância da Mesbla e de espaços como a Doce Docê, que, segundo ela, criavam rituais, atraíam pessoas de fora e ajudavam a formar a identidade cultural e social de Belo Horizonte.

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