Justiça manda soltar dono do Choquei e funkeiros e reverte prisões na Operação Narco Fluxo

Justiça Federal concede habeas corpus a Raphael Sousa (Choquei) e MCs na Operação Narco Fluxo. Saiba por que eles foram soltos e os detalhes do esquema de R$ 1,6 bilhão.

Abr 23, 2026 - 10:52
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Justiça manda soltar dono do Choquei e funkeiros e reverte prisões na Operação Narco Fluxo
Para asfixiar o poder financeiro do grupo, a Justiça manteve o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens e contas bancárias de 77 alvos. Mídia: O Globo

A decisão da Justiça Federal de conceder habeas corpus coletivo aos investigados da Operação Narco Fluxo provocou uma reviravolta no caso que vinha mobilizando autoridades e chamando atenção nas redes sociais. Entre os beneficiados está o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador do perfil Choquei, que havia sido preso pela Polícia Federal do Brasil no último dia 15 de abril.

A medida, assinada pelo ministro Messod Azulay Neto, também alcança nomes conhecidos do cenário musical, como MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. Na decisão, o magistrado apontou “flagrante ilegalidade” na decretação das prisões temporárias pela 5ª Vara Federal de Santos, destacando que o prazo inicialmente solicitado pela autoridade policial era de apenas cinco dias — limite que, segundo ele, deveria ter sido respeitado.

A Operação Narco Fluxo investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro com cifras bilionárias. De acordo com a Polícia Federal, o grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de um sistema complexo de ocultação de recursos, envolvendo empresas de fachada, intermediários e até transações com criptoativos. Há ainda indícios de operações financeiras no Brasil e no exterior, além do transporte de grandes quantias em dinheiro vivo.

As suspeitas vão além: os investigadores apontam que o esquema pode estar ligado ao tráfico internacional de drogas, incluindo a circulação de mais de três toneladas de cocaína. Com base nesses dados, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de dezenas de investigados — entre pessoas físicas e jurídicas — como forma de interromper as atividades ilícitas e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Durante as diligências, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos, veículos de luxo e valores em espécie, elementos que devem reforçar o conjunto probatório da investigação. Ao todo, 77 alvos foram atingidos por medidas judiciais, incluindo restrições patrimoniais e societárias.

Apesar da soltura, o caso está longe de ser encerrado. As investigações seguem em curso, e os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A concessão do habeas corpus não representa absolvição, mas sim uma mudança no status jurídico dos investigados enquanto o processo avança.

Com nomes de grande visibilidade pública no centro das apurações, o desdobramento da Operação Narco Fluxo deve continuar repercutindo tanto no meio jurídico quanto no universo digital e artístico — onde influência, dinheiro e poder agora estão sob escrutínio.

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