Família cobra medidas de segurança após menino de 7 anos morrer levado por enxurrada em Pouso Alegre
Após 42 horas de buscas, corpo de João Miguel é encontrado no Rio Mandu, em Pouso Alegre. Família denuncia falta de proteção em manilha e prefeitura decreta luto.
Em meio à dor e à comoção, a família de João Miguel, de apenas 7 anos, cobra providências para evitar novas tragédias no local onde o menino foi levado por uma enxurrada, no bairro Jardim Primavera, em Pouso Alegre (MG). O garoto estava desaparecido desde a tarde de quinta-feira (15) e foi encontrado após 42 horas de buscas, na manhã deste sábado (17), às margens do Rio Mandu.
A despedida foi marcada por emoção intensa. Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens vestindo camisetas com a imagem de João Miguel caracterizado como um anjo. Para os parentes, o acidente poderia ter sido evitado se houvesse proteção na manilha por onde o menino foi sugado pela força da água.
Abalada, a mãe, Tamires Aparecida Marques, lembrou da alegria do filho e da inocência das crianças que brincavam no local.
“Eles foram lá porque criança é inocente, não sabe de nada. Ele sempre foi alegre, feliz. Mesmo nos piores dias, estava sorrindo”, disse.
O pai, o autônomo Wellington Silvério, foi enfático ao apontar a falta de segurança na área.
“O local onde meu filho caiu tinha que ter uma proteção. Não tinha nada. Hoje foi o meu filho, amanhã pode ser o filho de outra pessoa. Se tivesse uma grade no bueiro, isso não teria acontecido”, afirmou.
João Miguel nadava no córrego conhecido como Mina João Paulo II, acompanhado do irmão de 9 anos e de um amigo de 10, quando o volume da água subiu rapidamente após uma forte chuva — mais de 50 milímetros em poucas horas. Câmeras de segurança registraram o momento em que o menino é arrastado pela enxurrada e sugado por uma manilha sem grade de proteção. Em outro vídeo, uma das crianças aparece gritando por socorro enquanto a outra corre até a casa de um vizinho, que consegue salvar um dos garotos.
O pastor e amigo da família, Floriano Gabriel de Souza, também lamentou a perda.
“Era uma criança muito próxima da gente. Brincava com meus filhos, comia bolo na nossa casa. Vai ficar marcada para sempre no nosso coração”, disse.
Desde o desaparecimento, uma grande força-tarefa foi montada envolvendo Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar, Prefeitura de Pouso Alegre e Copasa. As buscas se concentraram nas galerias pluviais e no Rio Mandu, destino da água do córrego.
Um robô submarino, trazido de São Paulo, foi usado em trechos de difícil acesso. O corpo do menino foi localizado por volta das 8h40 de sábado. Segundo o major do Corpo de Bombeiros, Acácio Tristão Gouveia, nenhuma hipótese foi descartada durante os trabalhos.
“Todo o trajeto possível foi varrido. O Rio Mandu era um ponto-chave, assim como as galerias”, explicou.
Após o ocorrido, o secretário de Segurança Pública do município, Anderson Silveira, informou que a prefeitura vai avaliar, junto à Secretaria de Obras, medidas para reduzir os riscos no local do acidente.
“Vamos estudar a possibilidade de colocar algum tipo de amparo ali. Também é preciso reforçar que não é um local apropriado para crianças, principalmente em dias de chuva”, declarou.
A Prefeitura de Pouso Alegre decretou luto oficial de três dias e, em nota, lamentou a morte de João Miguel. O município informou ainda que as secretarias de Assistência Social e Saúde estão prestando apoio à família neste momento de profunda dor.


Gabriella Nobre 


