Engenho histórico mantém tradição da cachaça em MG

Administrado por descendentes de Tiradentes, o Engenho Boa Vista em Coronel Xavier Chaves mantém a tradição da cachaça artesanal desde 1755. Veja como visitar e degustar.

Abr 6, 2026 - 09:50
Abr 5, 2026 - 20:56
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Engenho histórico mantém tradição da cachaça em MG
Engenho em Coronel Xavier Chaves funciona desde 1755 e produz uma das melhores cachaças do país. Processo de fabricação é movido a roda d’água e mantém tradição há séculos. Foto: (Saulo Vieira/TV Globo)

O Engenho Boa Vista, localizado em Coronel Xavier Chaves, preserva uma tradição centenária ao ser administrado pela nona geração da família de Joaquim José da Silva Xavier. Os atuais responsáveis descendem de Antonia Rita de Jesus Xavier, irmã mais nova do inconfidente, que é chamado de forma carinhosa pelos familiares de “Tioradentes”.

Reconhecido pela Embratur como o engenho mais antigo em funcionamento no país, o local mantém a produção de cachaça desde 1755.

O engenheiro de alimentos João Chaves atua no controle de qualidade, mas destaca que a avaliação final passa pelo avô, Rubens Chaves, de 93 anos, que segue degustando a bebida para garantir a manutenção do padrão tradicional.

A cachaça produzida no engenho, batizada de “Século XVIII”, figura entre as melhores do Brasil desde 2014, quando apareceu entre as 50 mais bem avaliadas no ranking da Cúpula da Cachaça. Na edição mais recente, ainda em andamento, o rótulo já está entre os 150 selecionados.

A produção segue métodos artesanais e sustentáveis. A cana-de-açúcar é colhida manualmente, sem uso de produtos químicos, e a fermentação utiliza o chamado “fermento caipira”, feito com milho cultivado no próprio local. O processo de destilação também mantém técnicas tradicionais, com aquecimento manual do alambique a lenha, o que pode gerar pequenas variações no sabor entre as safras.

Diferente de grande parte das cachaças envelhecidas em barris de madeira, a bebida produzida no engenho preserva a característica branca.

Além da produção, o espaço também recebe cerca de quatro mil visitantes por ano. As visitas custam R$ 30 e incluem degustação de três rótulos. O passeio é conduzido pelos próprios membros da família, com explicações oferecidas em português, inglês, francês e até no tradicional “mineirês”. Para participar, é necessário realizar agendamento prévio pelas redes sociais ou pelo telefone disponibilizado pelo engenho.

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