As exportações do agronegócio de Minas Gerais totalizaram US$ 3,93 bilhões entre janeiro e março deste ano, representando 38,5% de toda a receita externa do estado e mantendo o setor como principal destaque da pauta exportadora.
De acordo com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), o resultado reflete a combinação entre oferta, variação de preços no mercado internacional e o perfil dos produtos comercializados. Apesar do bom desempenho em valor, o volume exportado apresentou queda de 11,2%, somando 2,84 milhões de toneladas.
A assessora técnica da pasta, Manoela Teixeira, explica que a diferença entre receita e volume varia conforme a cadeia produtiva. No caso do café, por exemplo, a redução na quantidade exportada foi maior do que a queda na receita, influenciada pelos preços elevados. Já no setor sucroalcooleiro, houve aumento no volume embarcado, mas com recuo no faturamento, indicando diminuição dos preços médios.
No período, os produtos mineiros foram enviados para 155 países. A China liderou como principal destino, com US$ 713,1 milhões, seguida pelos Estados Unidos (US$ 387,8 milhões), Alemanha (US$ 384,1 milhões), Itália (US$ 307,8 milhões) e Japão (US$ 193,8 milhões). Houve ainda crescimento na participação de mercados como Índia, Taiwan, Tailândia, Filipinas e Suíça.
As exportações para países do Oriente Médio somaram US$ 219,1 milhões, correspondendo a 5,6% do total.
Entre os segmentos, o destaque foi o setor de carnes, que registrou recorde nas exportações de carne bovina para o período, com receita de US$ 419 milhões e volume de 117,6 mil toneladas — alta de 8,7% em valor e 2% em volume na comparação com o mesmo trimestre de 2025.
Principal produto da pauta, o café gerou US$ 2,4 bilhões, com exportação de 5,4 milhões de sacas, mas apresentou queda de 18,5% na receita e 31,5% no volume frente ao ano anterior.
O complexo soja ocupou a segunda posição, com US$ 510,4 milhões e 1,2 milhão de toneladas exportadas, registrando retração tanto em valor quanto em volume. Já os produtos florestais alcançaram US$ 240,7 milhões, com leve queda na receita e aumento de 3,4% no volume, impulsionados principalmente pelas vendas de papel.
Além das commodities, Minas também liderou as exportações nacionais de itens como milho para semeadura, mel, batatas processadas, leite condensado e doce de leite, evidenciando a diversificação da produção agroindustrial do estado.
Segundo a Seapa-MG, mesmo com menor peso econômico, esses produtos demonstram o avanço de Minas Gerais em nichos específicos e de maior valor agregado no mercado internacional.