Cheias do Rio São Francisco deixam rastro de prejuízos em Minas e novos temporais mantêm cidades em alerta

Rio São Francisco atinge cota de inundação em MG. Veja os prejuízos em São Francisco, Manga e a previsão de 100mm de chuva para esta semana.

Fev 3, 2026 - 10:07
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Cheias do Rio São Francisco deixam rastro de prejuízos em Minas e novos temporais mantêm cidades em alerta
Segundo o Inmet, o acumulado de chuvas pode chegar a 100 mm nesta semana, elevando ainda mais o nível do Rio São Francisco e seus afluentes. mcrédito: Defesa Civil de São Francisco / Estado de Minas

Após um fim de semana marcado por inundações e prejuízos, municípios mineiros às margens do Rio São Francisco seguem em estado de atenção diante da previsão de novas chuvas intensas ao longo da semana. O aumento do volume do Velho Chico, provocado pelas cheias em seus principais afluentes, já causou danos significativos em cidades ribeirinhas, especialmente no Norte de Minas, e o risco de novos alagamentos permanece elevado.

A situação mais grave foi registrada no município de São Francisco, onde, segundo a Defesa Civil municipal, as perdas materiais e econômicas causadas pela enchente chegam a aproximadamente R$ 6 milhões. Lavouras foram destruídas, animais morreram e móveis e eletrodomésticos foram perdidos em comunidades rurais atingidas pela água.

De acordo com o meteorologista Lizandro Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado de chuvas nesta semana pode chegar a 100 milímetros em praticamente todas as regiões de Minas Gerais. “A princípio, deveremos ter essa condição de chuva em quase toda a bacia do Rio São Francisco no estado, o que contribui para elevar ainda mais o nível do rio”, alertou.

As águas das chuvas que caem sobre diferentes regiões mineiras escoam para o São Francisco por meio de afluentes estratégicos, como o Rio das Velhas, que drena a Região Metropolitana de Belo Horizonte e a Região Central, além dos rios Paracatu e Urucuia, no Noroeste. No Norte de Minas, o Rio Verde Grande também contribui para o aumento do volume do Velho Chico, embora deságue no rio já em território baiano.

O alerta se intensificou na sexta-feira, quando o Boletim de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontou que o Rio São Francisco havia atingido cotas de alerta e de inundação em diversos municípios. Em Minas Gerais, São Francisco, Pedras de Maria da Cruz e Manga ultrapassaram a cota de alerta — nível que indica alto risco de inundação.

Em São Francisco, cidade de 56,2 mil habitantes, o rio chegou a subir 7,22 metros acima do nível normal, inundando comunidades rurais como Ilha das Porteiras, Ilha da União, Ilha do Victor e Lajedo. Cerca de 200 famílias ficaram desalojadas e precisaram ser levadas para a área urbana do município. Apesar da leve redução do nível do rio nos últimos dias, ele ainda permanece quase seis metros acima do normal.

“O trabalho preventivo foi fundamental para evitar uma tragédia maior”, afirmou o superintendente municipal de Defesa Civil, Romenig Barbosa Martins. Segundo ele, o município vinha monitorando a elevação do rio e retirou os moradores das áreas de risco com antecedência. Ainda assim, os prejuízos financeiros já somam R$ 5.949.025, considerando perdas agrícolas, morte de animais e danos a bens domésticos.

O cenário chama atenção para um contraste recorrente na região: mesmo em meio ao período chuvoso e às enchentes, muitas famílias da zona rural ainda enfrentam escassez de água potável e dependem do abastecimento por caminhões-pipa, reflexo da seca prolongada que castigou o Norte de Minas por mais de seis meses no ano passado.

Em Pedras de Maria da Cruz, o nível do rio chegou a 7,58 metros acima do normal, mas apenas duas famílias precisaram deixar suas casas devido à inundação de vias de acesso. Em Manga, o Velho Chico ultrapassou a cota de alerta e chegou a 7,40 metros acima do nível normal, mas, segundo a Defesa Civil local, não houve registros de danos.

Já em Pirapora e Buritizeiro, apesar da elevação do nível do rio e do alagamento de ilhas fluviais, não foram constatados prejuízos significativos. A situação nessas cidades é considerada mais controlada por estarem localizadas acima da confluência com grandes afluentes e por contarem com a regulação da vazão da Usina Hidrelétrica de Três Marias.

Enquanto isso, o balanço da Defesa Civil Estadual revela a dimensão dos impactos do período chuvoso em Minas Gerais. Desde outubro, quando teve início a temporada de chuvas 2025/2026, o estado já contabiliza 178 eventos adversos em 133 municípios, com 68 decretos de situação de emergência reconhecidos. Quatro pessoas morreram, mais de 4,5 mil ficaram desalojadas ou desabrigadas e cerca de 481 mil mineiros foram afetados de alguma forma pelos temporais.

Com quase dois meses ainda pela frente até o fim do período chuvoso, autoridades reforçam o monitoramento e pedem que moradores de áreas de risco sigam os alertas oficiais.

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