Cavernas do Peruaçu impulsionam turismo e reacendem esperança no Norte de Minas

Set 15, 2025 - 09:18
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Cavernas do Peruaçu impulsionam turismo e reacendem esperança no Norte de Minas
Fonte: O Tempo

Reconhecimento como Patrimônio Mundial Natural da Unesco deve elevar em 33% o número de visitantes ao parque em 2025.

Depois de décadas à margem do desenvolvimento turístico em Minas Gerais, o Norte do Estado começa a viver um novo momento. Em julho deste ano, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, localizado entre os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, foi reconhecido como Patrimônio Mundial Natural da Unesco. O título histórico abre uma nova janela de oportunidades para a região, marcada por belezas naturais, sítios arqueológicos milenares e uma rica diversidade biológica.

A projeção para 2025 é de um crescimento de 33% no número de visitantes ao parque, passando de 14.600 em 2024 para 20 mil no próximo ano. A capacidade total da unidade é de até 120 mil pessoas por ano, mas o manejo sustentável segue como prioridade da gestão.

“É como se estivéssemos escondidos e, de repente, os holofotes se voltassem para cá”, resume Dayanne Sirqueira, gestora do parque. Para ela, o reconhecimento internacional representa não apenas uma conquista ambiental, mas uma oportunidade de desenvolvimento social e econômico sustentável para toda a região.

Patrimônio único em Minas

O título concedido pela Unesco é o primeiro de natureza ambiental no Estado, que até então contava apenas com patrimônios culturais reconhecidos — como Ouro Preto, o Centro Histórico de Diamantina e o conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte. O Parque Cavernas do Peruaçu se destaca por seu cânion, suas formações calcárias monumentais e mais de 140 sítios arqueológicos com pinturas rupestres de até 12 mil anos.

A conquista foi resultado de um processo iniciado ainda nos anos 1990, quando o local foi incluído na lista indicativa da Unesco, antes mesmo da criação oficial do parque em 1999. O processo de candidatura foi retomado em 2015 e, em fevereiro de 2024, o dossiê final foi apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente e o ICMBio, com base nos critérios de beleza natural excepcional e importância geológica.

“O Peruaçu conseguiria se encaixar em oito dos dez critérios exigidos. É um lugar sem paralelo no mundo”, destaca o espeleólogo Leonardo Giunco, que integrou o grupo responsável pelo processo de reconhecimento e participa do Conselho Consultivo do parque.

Potencial turístico e recuperação histórica

Com 56 mil hectares de área preservada, o parque abriga a imponente Gruta do Janelão, com limite diário de 60 visitantes, além de trilhas, mirantes e cavernas acessíveis ao público. A estratégia da gestão é ampliar gradualmente os atrativos, sem comprometer a conservação. “O objetivo é que daqui a dez anos os visitantes tenham a mesma experiência de hoje. Preservar é o critério mais importante”, afirma Dayanne Sirqueira.

O prefeito de Januária, Maurício Almeida (Podemos), classifica o título da Unesco como um “divisor de águas” para o desenvolvimento local. “Os olhos do mundo se voltam para a nossa região, e isso tem impacto direto na economia, no turismo e na autoestima do povo norte-mineiro”, ressalta.

O professor Thiago Neves, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), analisa que o reconhecimento ajuda a resgatar o protagonismo histórico da região, que já foi um importante corredor logístico e cultural no período colonial, por meio do rio São Francisco. “O turismo sustentável pode ser a chave para reduzir as desigualdades históricas entre o Norte de Minas e outras regiões mais industrializadas do Estado”, afirma.

Experiência transformadora

Para muitos visitantes, a experiência no parque é mais do que turismo — é aprendizado e conexão com a natureza. A assistente social Tatiane Cássia de Souza, de 43 anos, viajou de Belo Horizonte com o marido e os três filhos para conhecer o Peruaçu. “Fiquei encantada. A visita é uma forma de ensinar as crianças sobre a importância da preservação e mostrar, de perto, a riqueza dos nossos biomas”, conta.

Seu esposo, o engenheiro Luiz Fernando Guimarães Pereira, reforça a dimensão educativa da viagem. “É uma maneira lúdica de apresentar o Brasil real, diverso, profundo. Um patrimônio que precisa ser protegido por todos nós.”

Fonte; O tempo

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