Bruno Henrique é suspenso por 12 jogos e multado em R$ 60 mil em caso de manipulação de apostas
O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi punido nesta sexta-feira (5) pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) com suspensão de 12 partidas do Campeonato Brasileiro e multa de R$ 60 mil. A decisão veio após julgamento no Rio de Janeiro que analisou denúncias de envolvimento do jogador em manipulação de resultados ligados a apostas esportivas. A Procuradoria do tribunal ainda pode recorrer da decisão.
A sessão, que ocorreu no Centro do Rio, contou com intensa mobilização jurídica. Pelo lado do Flamengo, o advogado Michel Assef Filho atuou como representante do clube, enquanto Ricardo Pieri Nunes defendeu o atleta. Também participaram o vice-presidente do Flamengo, Flavio Araújo Willeman, e o advogado Alexandre Vitorino, que apresentou uma das principais teses da defesa: a prescrição do caso.
Defesa e argumentos
A defesa de Bruno Henrique sustentou que a Procuradoria teria perdido o prazo para oferecer denúncia, já que, segundo o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), o prazo máximo é de 60 dias após a ciência do suposto ilícito.
— “O Flamengo reitera seu posicionamento de cumprimento às regras e reprovação de qualquer ato de manipulação de resultados. Estamos aqui para apoiar o atleta e buscar justiça”, afirmou Assef.
— “Caducou realmente a pretensão punitiva. A Procuradoria tem 60 dias para agir, não podemos rasgar o código”, completou Alexandre Vitorino.
Apesar da argumentação, o pedido de prescrição foi rejeitado por 3 votos a 2, permitindo que o tribunal avançasse para a análise de mérito, ou seja, a avaliação se Bruno Henrique teve ou não envolvimento no episódio de manipulação.
Depoimentos e provas
Entre os depoimentos ouvidos, esteve o do delegado Daniel Cola, responsável por investigações sobre manipulação de apostas esportivas. Ele apresentou conversas entre Bruno Henrique e seu irmão, Wander Nunes Pinto, sobre a possibilidade de o jogador receber um cartão amarelo na partida contra o Santos, em novembro de 2023, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
O representante da casa de apostas KTO, Pedro Lacaza, também prestou depoimento, acrescentando informações técnicas ao processo. Pelo lado do Flamengo, Michel Assef Filho defendeu que não houve qualquer prejuízo esportivo e ressaltou que a possibilidade de o atacante receber cartão naquele jogo era previsível, dado o contexto da partida.
— “Não existe informação privilegiada. Bruno não força o cartão, sequer faz a falta. Ele se revolta com o árbitro em seguida, para desespero do Flamengo, que contava com a suspensão estratégica. Qualquer pessoa minimamente atenta ao futebol sabia que o cartão viria naquele jogo”, afirmou o advogado.
Bruno Henrique também falou brevemente em sua defesa:
— “Gostaria de afirmar a minha inocência e dizer que confio na justiça esportiva. Jamais prometi ou participei das infrações das quais estou sendo acusado. Tenho respeito e confiança neste tribunal. Desejo um excelente julgamento a todos”, declarou o jogador.
Resultado da votação
Após horas de sustentação, os auditores do STJD divergiram em seus votos. O auditor Alcindo Guedes absolveu Bruno Henrique do artigo 243 do CBJD, mas votou por puni-lo no artigo 243-A, que trata de manipulação de resultados, aplicando a suspensão de 12 jogos e multa de R$ 60 mil. Guilherme Martorelli, vice-presidente da 1ª Comissão Disciplinar, defendeu a absolvição nos dois artigos, mas impôs uma multa de R$ 100 mil pelo artigo 191. Já William Figueiredo votou de forma mista, absolvendo em parte, mas também aplicando suspensão de 12 jogos e multa de R$ 60 mil. A auditora Carolina Ramos seguiu a mesma linha de punição.
O presidente Marcelo Rocha acompanhou os votos que condenaram Bruno Henrique pelo artigo 243-A, consolidando a decisão final: suspensão de 12 jogos do Brasileirão e multa de R$ 60 mil.
Entenda o caso
Bruno Henrique foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal em junho de 2024, ao lado do irmão, Wander Nunes Pinto, e de outras sete pessoas. Segundo a acusação, o jogador teria informado ao irmão que receberia um cartão amarelo no jogo contra o Santos. Como estava pendurado com dois cartões, ele ficaria suspenso contra o Fortaleza, mas retornaria justamente no confronto contra o Palmeiras, adversário direto do Flamengo na disputa pelo título.
O caso ganhou repercussão nacional por envolver um dos principais jogadores do elenco rubro-negro e por se somar a outras investigações em andamento sobre manipulação de resultados no futebol brasileiro.





