Em Taguatinga, no Distrito Federal, o Túnel Rei Pelé voltou a ser palco de acidentes recorrentes envolvendo caminhões que excedem a altura permitida de 4,5 metros. Em apenas uma semana, foram registrados quatro incidentes no local — dois deles em um intervalo de menos de três horas na última sexta-feira (17/4), quando veículos colidiram com o pórtico de proteção.
As ocorrências têm provocado transtornos constantes no trânsito da região, com engarrafamentos e riscos à segurança viária. Em alguns casos, motoristas tentam realizar manobras perigosas para evitar a estrutura, aumentando ainda mais o potencial de acidentes.
Diante da repetição dos episódios, o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) anunciou que irá reforçar a sinalização no trecho nos próximos dias. Segundo o órgão, o local já conta com sinalização vertical e horizontal, além de pórticos de advertência antes da entrada do túnel. O DER afirma ainda que a via está de acordo com as normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A infração por trafegar com veículo acima da altura permitida é considerada média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Apesar das medidas atuais, especialistas apontam que a solução pode ir além da sinalização tradicional. Para o coordenador do Observatório da Mobilidade 3S da Universidade de Brasília (UnB), Pastor Willy Gonzales, sistemas inteligentes de transporte poderiam reduzir significativamente esse tipo de ocorrência. A tecnologia utiliza câmeras e inteligência artificial para identificar veículos fora do padrão ainda antes da entrada no túnel, acionando alertas para as equipes de trânsito.
Além da prevenção, o especialista destaca a necessidade de estratégias para minimizar os impactos quando o túnel precisa ser interditado. Entre as sugestões, estão planos de desvio bem estruturados, comunicação eficiente com motoristas e alternativas de rotas para evitar congestionamentos prolongados.
Gonzales também defende maior integração entre órgãos públicos, como o Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob) e a Secretaria de Segurança Pública, para compartilhamento de dados em tempo real e melhor gestão do tráfego.
Para ele, Brasília precisa avançar na adoção de modelos de “cidades inteligentes”. “O DER não pode ficar isolado. A integração entre sistemas é essencial para prevenir acidentes e melhorar a fluidez do trânsito”, avalia.
Enquanto soluções mais tecnológicas não são implementadas, o Túnel Rei Pelé segue como um ponto crítico da mobilidade no DF, onde erros recorrentes continuam gerando prejuízos e colocando em risco motoristas e a rotina da região.