URT é líder do Mineiro com jogador de 53 anos como destaque
Aos 53 anos, Ditinho faz história na URT no Mineiro 2026. Conheça a trajetória do frentista que virou ídolo, superou a perda de um rim e hoje é o jogador mais velho do país.
Aos 53 anos, o atacante Ditinho segue escrevendo capítulos raros no futebol brasileiro. Em atividade e integrado ao elenco da URT, ele disputa o Campeonato Mineiro de 2026 e carrega um privilégio reservado a poucos: atravessar gerações vestindo a mesma camisa em momentos históricos distintos do clube de Patos de Minas.
Reserva no atual elenco, que faz a melhor campanha da URT no Estadual nos últimos 26 anos, Ditinho já era ídolo e artilheiro do Trovão na virada do século. Em 2000, o clube teve um início ainda mais avassalador no Mineiro, e o protagonista dentro de campo era o mesmo atacante que hoje acompanha os jogos à beira do gramado.
Naquela temporada, o Campeonato Mineiro contava, na primeira fase, apenas com equipes do interior. América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro entrariam apenas posteriormente. A URT somou quatro vitórias e um empate, alcançando 13 pontos em 15 possíveis, terminando a etapa inicial na liderança. Na fase seguinte, o time perdeu fôlego e encerrou a competição na sétima colocação.
O artilheiro daquela campanha e titular absoluto era Ditinho, então com 27 anos e já ídolo da torcida. Ele também havia sido o principal goleador do Estadual em 1999, consolidando seu nome na história do clube. À época, a idade indicava que o atacante estava apenas na metade da carreira. O que ninguém imaginava era que, 26 anos depois, ele voltaria a viver outro grande começo de Campeonato Mineiro com a URT.
Em 2026, Ditinho ainda não entrou em campo, apesar de ter sido relacionado para todas as partidas do Estadual. O contrato foi renovado após sua participação na campanha do acesso no Módulo 2, em 2025. A URT soma 11 pontos, com três vitórias e dois empates, lidera o Grupo A e tem a melhor campanha geral do Campeonato Mineiro. O time volta a campo no sábado, quando enfrenta o América-MG, às 18h30, no Independência.
De frentista a ídolo do Trovão
Nascido em 21 de março de 1972, em São José dos Campos (SP), Ditinho foi apontado como o jogador profissional mais velho em atividade no Brasil, segundo levantamento da CBF analisado pelo ge em maio do ano passado. Ele iniciou a carreira nos anos 1990, passando por clubes do interior paulista, mas chegou a abandonar o futebol profissional e trabalhou como frentista em sua cidade natal.
A virada aconteceu após o convite de um amigo para defender a URT. Em Patos de Minas, Ditinho se tornou ídolo, foi duas vezes artilheiro do Campeonato Mineiro (1999 e 2000) e marcou gols importantes em jogos de Copa do Brasil, contra adversários como Fluminense e Santos.
Com mais de 100 gols em cerca de 200 partidas pela URT, o atacante precisou encerrar a primeira fase da carreira em 2012, após passar mal no vestiário depois de um jogo contra o Funorte. Aos 40 anos, ele descobriu um problema renal que levou à retirada de um dos rins.
Fora dos gramados, Ditinho tentou a carreira política e foi eleito vereador em Patos de Minas em 2012, com 1.386 votos. Dois anos depois, renunciou ao mandato alegando questões pessoais e retornou com a família para São José dos Campos. Lá, trabalhou durante oito anos como ajudante em uma refinaria, atuando na manutenção e limpeza.
Mesmo longe do futebol profissional, manteve a forma física com jogos amadores e treinos. Em 2024, recebeu novo convite da URT, aceitou o desafio e voltou aos gramados. Em 2025, participou da campanha do acesso no Módulo 2 e esteve em campo em duas partidas. No jogo decisivo contra o Mamoré, comemorou intensamente ao lado da torcida.
Ao fim daquela temporada, deixou claro que ainda não pensava em encerrar a carreira.
“Quem sabe em 2026 eu possa estar jogando a primeira divisão com a URT e ser o jogador mais velho a disputar o Campeonato Mineiro”, afirmou à época.
O desejo se concretizou. Ditinho teve o contrato renovado e voltou à elite do futebol mineiro com a URT, agora como símbolo de longevidade, superação e identificação rara entre jogador e clube.
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