O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que não pretende usar a força militar para assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, aliada histórica de Washington. Apesar disso, voltou a defender que os Estados Unidos precisam ter “a posse” da região estratégica.
Durante discurso a líderes mundiais no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump declarou que teria capacidade militar para impor sua vontade, mas descartou essa possibilidade. “Provavelmente não conseguiríamos nada a menos que eu decidisse usar força excessiva, caso em que seríamos imparáveis, mas não farei isso. Não preciso usar a força. Não quero usar a força. Não usarei a força”, afirmou.
Ainda em Davos, o presidente americano transferiu à Europa e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a responsabilidade pela guerra na Ucrânia, iniciada com a invasão russa há quase quatro anos. Segundo Trump, os Estados Unidos não deveriam continuar arcando com os custos do conflito.
“O que os Estados Unidos ganham com todo esse trabalho, além de morte, destruição e enormes quantias de dinheiro indo para aqueles que não valorizam o que fazemos? Estou falando da Otan, estou falando da Europa. Eles têm que lidar com a Ucrânia. Nós não”, declarou. “Os Estados Unidos estão muito longe, separados por um vasto e belo oceano. Não temos nada a ver com isso”, completou.
Trump também indicou que deve se reunir ainda nesta quarta-feira com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em meio ao avanço das forças russas.
Sobre a Venezuela, o republicano afirmou que autoridades do país se mostraram abertas a negociações com Washington após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico e que será julgado em Nova York. Segundo Trump, o país sul-americano deve registrar forte crescimento na receita com petróleo nos próximos meses. “A Venezuela vai ganhar mais dinheiro nos próximos seis meses do que nos últimos 20 anos”, afirmou.
As declarações do presidente americano provocaram reação entre líderes europeus. Na terça-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu enfrentar os “valentões” no cenário internacional. Já a União Europeia anunciou que dará uma resposta “firme” às posições de Washington.
Nesta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que o continente abandone sua “prudência tradicional” diante de um mundo cada vez mais dominado pela “força bruta”.