A exploração de terras raras no planalto de Poços de Caldas voltou ao centro das discussões ambientais e econômicas durante audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate reuniu especialistas, ambientalistas e representantes da sociedade civil, que defenderam maior participação do Estado no controle e fiscalização das atividades minerárias na região, que inclui os municípios de Andradas, Caldas, Poços de Caldas e Águas da Prata.
A área, formada sobre a antiga cratera de um vulcão extinto há cerca de 80 milhões de anos, concentra importantes reservas de minerais conhecidos como terras raras, utilizados em setores estratégicos como tecnologia, energia e indústria militar. Com a descoberta de uma das maiores jazidas do mundo, o interesse de empresas estrangeiras na exploração da região aumentou significativamente.
Durante a audiência, participantes alertaram para possíveis impactos ambientais relacionados à mineração, como aumento do tráfego de caminhões, pressão sobre recursos hídricos, emissão de poeira e riscos a áreas ambientalmente sensíveis. Também foram levantadas preocupações sobre possíveis reflexos negativos para atividades tradicionais da região, como agricultura e turismo.
Representando o Sindsema, Wallace Alves sugeriu a criação de uma estrutura estatal voltada ao setor mineral, com o objetivo de ampliar o controle público sobre os impactos ambientais e garantir que os benefícios econômicos sejam melhor distribuídos para a população local.
Outro ponto criticado pelos participantes foi a ausência de representantes das mineradoras convidadas para a audiência, considerada uma oportunidade importante para esclarecimentos e diálogo com a sociedade.
O debate reforçou a necessidade de ampliar estudos técnicos conduzidos por instituições públicas e de discutir modelos de exploração que conciliem desenvolvimento econômico, soberania nacional e preservação ambiental.