Varejo desacelera em dezembro e encerra 2025 com crescimento tímido de 1,6%, indicam dados do IBGE
O varejo brasileiro cresceu 1,6% em 2025, abaixo da meta de 2,5%. Confira a análise do IBGE e de especialistas sobre o impacto dos juros no consumo.
O comércio varejista brasileiro fechou 2025 com sinais claros de desaceleração, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em dezembro, último mês do ano, o setor registrou queda de 0,4% frente a novembro, após alta de 1% no mês anterior. No acumulado de 2025, o crescimento foi de 1,6%, ligeiramente acima dos 1,5% registrados em levantamento anterior, mas abaixo das expectativas do mercado, que apontavam alta anual de 2,5%.
Economistas consultados pelo Metrópoles destacam que os resultados refletem um cenário de moderação econômica, influenciado por juros elevados e menor disponibilidade de crédito. “O resultado consolidado de 2025 reflete um ambiente mais desafiador no lado da demanda, especialmente a discricionária, embora o mercado de trabalho ainda apresente bom desempenho”, afirma André Valério.
Segundo Valério, a expansão do varejo em 2025 foi concentrada em produtos essenciais, como supermercados e farmácias, que responderam por mais da metade do crescimento. Já os segmentos mais sensíveis à renda recuaram 1% em dezembro, enquanto os dependentes de crédito caíram 1,7%, evidenciando uma demanda enfraquecida.
A economista Claudia Moreno reforça que, embora o varejo ampliado tenha apresentado algum crescimento no segundo semestre, o desempenho geral do setor foi fraco, encerrando 2025 com alta de apenas 0,1% em relação a 2024. Setores como veículos e motocicletas recuaram 2,9%, enquanto material de construção ficou estável. Por outro lado, varejos restritos, como móveis, eletrodomésticos, vestuário e calçados, registraram avanços de até 4,5%.
Mesmo com a expectativa de cortes na taxa de juros ao longo de 2026, Moreno alerta que os níveis ainda elevados devem impactar fortemente segmentos dependentes de crédito. Valério reforça que o resultado de dezembro consolida o cenário de moderação da economia, refletindo um ritmo mais contido no crescimento do consumo e da atividade econômica em geral.
O economista Maykon Douglas complementa que o varejo no ano passado apresentou comportamento “em dois trilhos”: enquanto a ponta mais sensível ao crédito sofreu com o aperto monetário, o varejo sensível à renda registrou crescimento discreto de 1,1%. Ele aponta que essa heterogeneidade deve persistir no curto prazo, ainda influenciada pelos juros altos e pelas medidas de expansão da renda que o governo pretende implementar.
Em síntese, os dados reforçam que o consumo das famílias deve seguir concentrado em itens essenciais e setores mais dinâmicos, mantendo o crescimento do varejo moderado e alinhado com o cenário de desaceleração econômica do país.


Gabriella Nobre 




