Startup de Pernambuco cria biogel que combate incêndios florestais e economiza até 85% da água
Conheça o biogel que reduz em 85% o uso de água no combate a incêndios florestais e agrícolas. Tecnologia brasileira inovadora ganha destaque internacional.
Ondas de calor e secas prolongadas têm intensificado incêndios florestais na América do Sul, com áreas queimadas crescendo 30 vezes entre 2024 e 2025, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Diante desse cenário crítico, soluções inovadoras começam a surgir. Em Pernambuco, o químico industrial José Yago Rodrigues transformou anos de pesquisa em uma startup que desenvolve tecnologias para combater incêndios florestais e agrícolas.
Inicialmente voltado para a carreira acadêmica, José Yago mudou de rumo após atuar em projetos de recuperação ambiental, como o desenvolvimento de uma manta de gel para absorver óleo derramado no litoral nordestino em 2019. A experiência mostrou que a tecnologia poderia ser aplicada em outros contextos, levando à criação de um biogel inovador.
O produto é misturado à água e forma uma camada protetora sobre a vegetação, retardando a propagação do fogo e aumentando a eficiência do combate às chamas. “Desenvolvemos um gel capaz de apagar incêndios mais rápido, usando menos água. Ele é biodegradável, atóxico e seguro”, explica José Yago. A aplicação pode ser feita com bombas costais, caminhões-pipa ou até drones, ampliando seu uso no campo.
Testes em plantações de cana-de-açúcar em Pernambuco mostraram resultados promissores. Um incêndio que normalmente exigiria 50 mil litros de água pôde ser controlado com apenas 7 mil litros, economizando até 85% do recurso. A startup já produz 20 mil litros de gel por mês, vendido em embalagens de 20 litros a cerca de R$ 2 mil.
Desde a patente em 2021, a empresa recebeu investimentos de editais do governo de Pernambuco e programas federais de apoio à inovação. Em 2025, faturou R$ 150 mil, com projeção de alcançar R$ 2 milhões em 2026, impulsionada por certificações e parcerias internacionais, incluindo uma organização do Reino Unido voltada a projetos de inovação ambiental.
Para Rodrigues, a missão vai além do lucro: “A ideia é transformar um artigo científico em uma nota fiscal — em um produto que possa contribuir para a sociedade”. A startup representa uma resposta tecnológica concreta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelos incêndios cada vez mais frequentes na região.


Gabriella Nobre 



