O vereador de Belo Horizonte, Pedro Rousseff (PT), protocolou nesta semana uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A ação questiona suposta propaganda eleitoral antecipada durante ato realizado no último domingo (1º), na Avenida Paulista, em São Paulo.
Sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o vereador pede a abertura de investigação com base em discursos feitos durante a manifestação que, segundo ele, teriam ultrapassado os limites legais da pré-campanha ao associarem diretamente o nome de Flávio Bolsonaro à disputa pelo Palácio do Planalto.
No documento encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet — que também exerce a função de procurador-geral Eleitoral —, Rousseff argumenta que as falas “não se limitam à exaltação pessoal permitida ao pré-candidato, mas estabelecem vínculo direto e inequívoco entre o nome do representado e o cargo de Presidente da República, projetando expectativas de vitória, convocando apoio político e estimulando adesão pública à sua pré-campanha”.
Entre os trechos citados está a declaração do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB): “O time está escalado, o Flávio está escolhido e nós vamos com tudo para poder resgatar o nosso país. (...) Agora é entrar em campo para ganhar de lavada”.
Para o vereador, “tais manifestações ultrapassam os limites legais da pré-candidatura e subsumem-se, em tese, às hipóteses de propaganda eleitoral antecipada vedada”.
A representação também menciona trecho do discurso do próprio senador, no qual ele afirmou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), voltará a “subir a rampa do Planalto” em janeiro de 2027 — referência à cerimônia de posse presidencial.
Em tom crítico, Pedro Rousseff afirmou que “o bolsonarismo tem um grave problema em cumprir a lei; seja ela a Constituição ou a legislação eleitoral. Flávio e seus comparsas precisam saber que aqui não é a casa da mãe Joana”.
O caso agora ficará sob análise do Ministério Público Eleitoral, que poderá decidir pela abertura de investigação para apurar eventual infração às regras que disciplinam a propaganda antes do período oficial de campanha.