A queda do Boeing 787‑8 Dreamliner da Air India, em junho deste ano, ganhou novos contornos após a divulgação do relatório preliminar da investigação norte-americana. Segundo trechos do documento, obtidos na sexta‑feira (11) e confirmados por fontes citadas pelo Wall Street Journal, gravações da caixa‑preta revelam que o comandante Sumeet Sabharwal teria desligado, em sequência, os dois interruptores que controlam o fluxo de combustível para os motores ato que exige levantar travas de proteção e mover manualmente cada botão da posição “run” (ligado) para “cutoff” (corte).
Os dados mostram que a interrupção dos motores ocorreu três segundos após a decolagem no aeroporto de Ahmedabad (oeste da Índia) e apenas 29 segundos antes do impacto que matou 260 pessoas , entre elas 29 em solo deixando apenas um sobrevivente. Os interruptores foram religados instantes antes da colisão, sendo encontrados em “run” pelos peritos.
O copiloto Clive Kunder, responsável pelo comando ativo do voo, questionou o corte na hora, segundo o áudio da cabine. Ainda não está claro se Sabharwal desligou os motores por engano ou intencionalmente. Especialistas em segurança afirmam ser “altamente improvável” um acionamento acidental, dada a configuração protegida dos botões.
Com 15.638 horas de voo e instrutor na Air India, Sabharwal atuava como piloto monitor do trecho, enquanto Kunder, com 3.403 horas, conduzia a aeronave. O relatório não identificou qualquer pane ou incêndio que justificasse o procedimento, utilizado normalmente apenas após o pouso ou em emergências severas.
A investigação não atribuiu falha técnica à Boeing ou à fabricante dos motores e determinou inspeção nos 33 Dreamliners da frota da Air India. Entidades de pilotos criticaram o documento por omitir a transcrição completa dos diálogos, fator que reacendeu o debate sobre câmeras de vídeo na cabine.
Sem prazo para conclusão do relatório final, investigadores agora buscam esclarecer o que se passou nos segundos decisivos entre o corte e o religamento dos motores e, principalmente, a motivação por trás da ação do comandante.