Prefeitura de Campanha (MG) decreta emergência fitossanitária após surto de greening dizimar pomares de ponkan
Doença atinge 60% das plantações no município e pode comprometer até 90% da safra nos próximos anos; decreto classifica situação como “desastre biológico”
A Prefeitura de Campanha, no Sul de Minas Gerais, decretou estado de emergência fitossanitária após a confirmação de que o greening — considerada a mais destrutiva doença da citricultura mundial — já afeta cerca de 60% dos pomares de tangerina ponkan no município. O decreto, publicado nesta semana, classifica a situação como um “desastre biológico”, com base em relatório da Defesa Civil de Minas Gerais.
Apesar de estimativas indicarem uma colheita de 34,5 mil toneladas de ponkan e outras variedades de tangerina em 2025 — alta de 5,18% em relação ao ano anterior —, o impacto da doença compromete a qualidade dos frutos, afetando o sabor, a aparência e inviabilizando a comercialização.
Segundo relatório do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), a previsão é ainda mais alarmante: o greening pode causar perdas de até 70% da safra de 2025 e até 90% das safras de 2026 e 2027, caso não sejam adotadas medidas drásticas de controle.
Atualmente, Campanha conta com cerca de 1.550 hectares dedicados ao cultivo de ponkan, dos quais 150 já precisam ser erradicados. A Emater alerta que muitos citricultores não possuem recursos para arcar com os custos do arranquio das árvores doentes.
A doença, causada por uma bactéria transmitida pelo inseto psilídeo, não tem cura. Uma vez contaminada, a planta precisa ser eliminada para evitar a propagação. O greening foi responsável por destruir 80% da produção de citros dos Estados Unidos, outrora o segundo maior produtor mundial.
Com o decreto, a administração municipal poderá mobilizar todos os órgãos municipais e voluntários para ações emergenciais, além de autorizar a contratação de serviços e compra de insumos sem necessidade de licitação, desde que voltados ao combate da doença.
Segundo o secretário de Governo de Campanha, Nicolas Dinamarco, o decreto também tem como objetivo garantir segurança jurídica e apoiar os produtores locais nas negociações com instituições financeiras.
“Esse decreto veio para garantir segurança jurídica das ações, mas também auxiliar, favorecer as negociações dos produtores com as instituições financeiras, buscando renegociação de prazos, novas condições para promover esse arranquio de pomares e também para pensarmos nas próximas etapas de diversificação da produção, substituição dessa produção para minorar o impacto na economia do município”, afirmou.
Dinamarco ressaltou ainda que parte dos produtores já iniciou o processo de diversificação agrícola, apostando no cultivo de frutas e café. Ele também destacou que a prefeitura está em diálogo com o Ministério da Agricultura e a Secretaria de Estado de Agricultura para garantir apoio técnico e buscar soluções sustentáveis para o futuro da citricultura na região.
“Nós estamos muito atentos a esse problema e já estamos buscando parcerias com outros órgãos de outras esferas de governo para que nos deem suporte neste momento crítico, mas também no pós, com a diversificação da produção. Quem sabe, no futuro, com o apoio da ciência e das instituições técnicas, a gente consiga retomar a citricultura em condições mais seguras.”
Fonte: G1 Sul de Minas





