Petróleo dispara e bolsas recuam após escalada militar entre EUA, Israel e Irã

Petróleo sobe 8% e bolsas de NY caem após ataques de EUA e Israel ao Irã. Entenda como a morte de Khamenei e o risco no Estreito de Ormuz afetam a economia global.

Petróleo dispara e bolsas recuam após escalada militar entre EUA, Israel e Irã
Mídia/Reprodução: Times Brasil

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já provoca fortes impactos no mercado global. Nesta segunda-feira (2/3), o preço do petróleo segue em alta acelerada, enquanto os principais índices futuros de Nova York operam em queda próxima de 1%, refletindo a tensão geopolítica e o temor de desdobramentos econômicos mais amplos.

Nas últimas 24 horas, o barril do tipo Brent avançou 8,2% e atingiu US$ 79,21 pela manhã. No domingo, a commodity chegou a subir 10%, aproximando-se dos US$ 80. Na sexta-feira (27/2), antes da ofensiva militar, o produto havia fechado a US$ 73 — o maior nível desde julho. Analistas já trabalham com a possibilidade de o barril alcançar a casa dos US$ 100 caso o conflito se prolongue.

No mercado acionário, o clima é de aversão ao risco. O S&P 500 futuro recuava 1,09% nesta manhã, enquanto os futuros do Dow Jones caíam 1,17% e os do Nasdaq, 1,43%. A bolsa brasileira ainda não havia iniciado as negociações.

A disparada do petróleo está diretamente ligada ao risco de interrupção no transporte de energia. Grandes companhias suspenderam o envio de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente.

Qualquer bloqueio ou ameaça à navegação na região amplia o temor de desabastecimento e pressiona os preços internacionais.

A turbulência nos mercados teve como estopim a ofensiva lançada no sábado (28/2), quando forças de Israel e dos Estados Unidos realizaram ataques aéreos coordenados contra alvos no Irã. A operação foi descrita pelos dois países como estratégica, direcionada a instalações militares e centros de comando.

Autoridades iranianas confirmaram a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989, além de outros altos oficiais e membros de sua família. O governo declarou luto oficial de 40 dias, enquanto manifestações tomaram as ruas em apoio ao regime.

Em resposta, o Irã e forças aliadas lançaram mísseis e drones contra posições israelenses e bases americanas na região do Golfo, incluindo instalações no Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Sirenes de alerta foram acionadas em cidades como Tel Aviv e Jerusalém, e houve deslocamento de civis em áreas consideradas estratégicas.

Antes mesmo dos primeiros disparos, o petróleo já oscilava diante do aumento das tensões diplomáticas. Agora, investidores reavaliam riscos de inflação global, encarecimento do transporte e impacto nas cadeias de suprimento.

O temor é que um conflito prolongado comprometa o fluxo de energia e amplie a volatilidade nos mercados financeiros. Caso o Estreito de Ormuz seja afetado de forma mais severa, especialistas apontam que a pressão sobre combustíveis e alimentos pode se espalhar rapidamente pelo mundo.

Com o petróleo em disparada e as bolsas em queda, o cenário é de incerteza elevada — e os próximos movimentos militares e diplomáticos serão determinantes para o rumo da economia global.