Percentual de lares alugados no Brasil atinge maior nível da série histórica, aponta IBGE

Percentual de lares alugados no Brasil atinge maior nível da série histórica, aponta IBGE
Mais brasileiros moram em residências alugadas. Foto: LEO LARA 21.11.2007

O percentual de domicílios alugados no Brasil chegou a 23% em 2024, o maior patamar da série histórica iniciada em 2016, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (22) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2023, o índice era de 22,3%.

O levantamento, que integra a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), mostra que o país tinha 17,8 milhões de lares alugados no ano passado, abrigando 46,5 milhões de pessoas — o equivalente a 21,9% da população. O número supera a população estimada do estado de São Paulo em 2024 (46 milhões) e representa crescimento de 32,7% em relação a 2016, quando 35 milhões viviam de aluguel.

Queda na casa própria

O avanço do aluguel veio acompanhado de perda de espaço dos domicílios próprios. Os imóveis já quitados passaram de 62,5% em 2023 para 61,6% em 2024, menor índice da série. Em 2016, a proporção era de 66,8%. Já os domicílios em fase de pagamento representaram 6% do total, em estabilidade frente a 2023 e queda em relação a 2016 (6,2%).

Somados, os lares próprios (quitados ou em pagamento) totalizaram 52,3 milhões em 2024, abrigando 146,2 milhões de pessoas. Esse contingente é 2,9% menor do que em 2016, quando 150,6 milhões de brasileiros viviam em imóveis próprios.

Para William Kratochwill, analista do IBGE, o quadro evidencia a necessidade de políticas habitacionais voltadas para a compra da casa própria.

“Se não se cria oportunidade para a população adquirir o seu imóvel, e a pessoa continua querendo independência, como faz isso sem conseguir comprar um bem? Tem de partir para o aluguel”, afirmou o pesquisador.

Diferenças regionais

O Centro-Oeste registrou o maior percentual de moradores em domicílios alugados em 2024 (29,8%). A região tem atraído migrantes devido ao fortalecimento do agronegócio, segundo o IBGE.
Já o Norte segue com a menor proporção de lares alugados (15,3%).

Mais apartamentos, menos casas

A pesquisa também apontou mudanças no tipo de moradia. Pela primeira vez, os apartamentos ultrapassaram a marca de 15% do total de domicílios (15,3% em 2024). Em contrapartida, as casas representaram 84,5%, o menor patamar da série.

De acordo com Kratochwill, o movimento reflete a concentração urbana e a busca por segurança.

“As pessoas querem viver perto do trabalho e de serviços nas cidades, mas o território é limitado. O resultado é a construção de prédios. Além disso, os condomínios oferecem infraestrutura de lazer e maior sensação de proteção, o que incentiva a preferência pelos apartamentos”, explicou.