“O Diabo Veste Prada 2” chega aos cinemas e atualiza o clássico com nostalgia, humor e um olhar moderno sobre o poder na moda e na mídia

“O Diabo Veste Prada 2” chega aos cinemas nesta quinta (30). Meryl Streep e Anne Hathaway retornam em uma sequência que atualiza a moda e o mercado de trabalho.

Abr 30, 2026 - 11:32
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“O Diabo Veste Prada 2” chega aos cinemas e atualiza o clássico com nostalgia, humor e um olhar moderno sobre o poder na moda e na mídia
O entrosamento do quarteto permanece intacto, garantindo que o filme não seja apenas um exercício de nostalgia, mas uma continuação com maturidade. Mídia: UOL

No encerramento de “O Diabo Veste Prada” (2006), Emily (Emily Blunt) lança uma frase que virou quase um aviso eterno: “Você tem grandes sapatos para preencher. Espero que saiba disso”. Quase duas décadas depois, a mesma ideia parece ecoar nos bastidores de Hollywood — agora direcionada a quem ousou revisitar o universo do filme.

Estreando nesta quinta-feira (30) no Brasil, “O Diabo Veste Prada 2” assume a missão arriscada de dar continuidade a uma das comédias mais icônicas dos anos 2000. E, ao menos no papel, o desafio era gigantesco: como seguir uma história tão marcada por estilo, ironia e personagens memoráveis sem cair na armadilha da repetição?

A produção aposta em uma estratégia segura — e eficiente. Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci retornam aos seus papéis, acompanhados novamente pela equipe criativa original. Um conjunto que, por si só, já garante curiosidade e expectativa.

Mas Hollywood já provou inúmeras vezes que nostalgia não é garantia de acerto. Ela atrai público, movimenta bilheteria, mas raramente sustenta um filme sozinha. Aqui, no entanto, o resultado surpreende por encontrar um equilíbrio entre reverência ao original e vontade de seguir adiante.

O novo filme está repleto de referências ao primeiro — do icônico suéter cerúleo às menções a “Vogue” e trilhas que marcaram época. Os chamados easter eggs funcionam como acenos ao público fiel, sem dominar a narrativa. Ainda assim, a sequência não se limita a repetir fórmulas.

A trama reposiciona seus personagens em um cenário bem mais contemporâneo. Andy Sachs surge como uma jornalista consolidada, mas rapidamente confrontada pelo desemprego. Miranda Priestly, por sua vez, enfrenta um mundo em transformação, onde até seu poder absoluto na indústria editorial passa a ser questionado. Emily, antes assistente, agora lidera uma grife e ocupa um novo lugar na hierarquia da moda.

O filme abandona a sátira corporativa dos anos 2000 e mergulha em temas atuais: demissões em massa, precarização do jornalismo, choque geracional e a influência crescente de bilionários capazes de reconfigurar indústrias inteiras. Um retrato que dialoga diretamente com o presente — e que, em alguns momentos, parece mais interessado em comentar o mundo real do que em viver apenas de fantasia.

Nesse novo contexto, Miranda deixa de ser apenas a vilã absoluta. Ela se torna uma figura mais ambígua, quase uma anti-heroína, também sujeita às pressões do poder econômico que domina a narrativa. A mudança pode diluir parte da força simbólica da personagem, mas abre espaço para uma atuação ainda mais refinada de Meryl Streep, que retoma o papel com precisão e intensidade.

O elenco, de forma geral, demonstra entrosamento e maturidade. Stanley Tucci, mais uma vez como Nigel, se destaca nos momentos mais sensíveis, adicionando calor humano a uma história marcada por ambição e competição.

Apesar disso, o roteiro nem sempre mantém o mesmo equilíbrio. Algumas subtramas, como o relacionamento de Andy, aparecem pouco desenvolvidas, e a estrutura narrativa às vezes recorre a soluções previsíveis. Ainda assim, o filme se sustenta no carisma do elenco e na leveza da proposta.

No fim das contas, “O Diabo Veste Prada 2” não tenta ser maior do que o original — e talvez essa seja sua maior virtude. Não é uma reinvenção ousada, mas uma continuação consciente de seus limites e de seu propósito: entreter, atualizar e revisitar um universo que ainda desperta interesse.

Sem pretensões de obra-prima, o longa aposta em algo mais simples — e, por isso mesmo, eficaz. Um retorno leve, bem-humorado e visualmente elegante a um mundo que continua fascinando o público. E que, ao que tudo indica, ainda tem espaço na moda do cinema contemporâneo.

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